
A ideia é simples: pegar num pano branco – lençol, bandeira, fronha, toalha.. – e colocá-lo à janela como afirmação de que se está a apelar às tréguas, à paz, ao fim das hostilidades na quase centena de países que está envolvida em conflitos fora das suas fronteiras.
#JanelaBrancaPelaPaz é o título da iniciativa do Centro de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental e a Unicef Portugal para este sábado, 21 de Setembro, Dia Internacional da Paz, poucos dias antes do início da Assembleia da ONU em Nova Iorque. Trata-se de “apelar aos decisores mundiais, regionais e locais que privilegiem a diplomacia para resolver conflitos”, através de uma iniciativa que foi desenhada para ser “simples”, como explicava ao Público o assessor de comunicação da ONU para Portugal, António Ferrari.
O pano branco, “símbolo de tréguas, de paz, de fim das hostilidades”, pretende “lembrar a importância da paz e sublinhar que somos uns privilegiados por não termos guerra em território nacional” e, por outro, “recordar o impacto da guerra, como entrave ao progresso económico e social, como um retrocesso nos direitos humanos e um aumento da violência”, dizia o responsável citado pela mesma fonte.
Os dados mostram uma trágica realidade: de acordo com o Índice Global da Paz 2024, já não havia tantos conflitos desde a Segunda Guerra Mundial como os que se verificam actualmente. O resumo no Público: dos 195 países que integram a Organização das Nações Unidas (que reúne 193 Estados e mais a Santa Sé e a Palestina como observadores), 92 estão envolvidos em conflitos fora das suas fronteiras, o maior número desde a criação do IGP; estes conflitos afectam mais de dois mil milhões de pessoas – um quarto da população mundial; e actualmente são perto de 120 milhões o número de pessoas em todo o mundo que estão deslocadas por causa de conflitos, perseguições, e outras formas de violência. “Ninguém sai de casa por capricho”, notava António Ferrari, e cada guerra traduz-se em muitas pessoas mortas, destruição de edifícios (habitação, equipamentos de saúde, de ensino ou culturais), violação dos direitos humanos fundamentais e aumento da pobreza.
A iniciativa mobilizou também várias figuras públicas para serem porta-vozes do movimento. Entre elas, estão a actriz Rita Blanco, que recorda que uma em cada cinco crianças vive em situações de conflito; o músico Mário Cotrim, aka ProfJam; ou o escritor José Luís Peixoto, que entende o pano branco à janela como uma “declaração” perante todos “os que estão à nossa volta.” A lista inclui ainda outros músicos, artistas e personalidades públicas como António Raminhos, Carlão, Carolina Deslandes, Catarina Furtado, Cláudia Vieira, Cristina Ferreira, Jessica Athayde, João Baião, Marisa Liz, Nelson Évora, Nuno Markl, Pedro Fernandes, Ricardo Pereira e Tânia Ribas de Oliveira.









