
A escultura “Não-violência” de Carl Fredrik Reuterswärd em frente à sede da ONU em Nova Iorque (EUA). Foto © Zheng Zhou, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
Facilitar a investigação, os recursos e as experiências sobre a não-violência aos líderes, comunidades e instituições da Igreja Católica é um dos grandes objetivos do Instituto Católico para a Não-Violência (ICNV), este domingo inaugurado em Roma, com a participação de vários cardeais e de especialistas. O Papa Francisco, que à mesma hora estava a chegar da sua visita ao Luxemburgo e à Bélgica, enviou uma mensagem em que defendeu a não- violência como “estilo de uma política de paz”.
O Instituto é um projeto da Pax Christi Internacional, através da sua Iniciativa Católica para a Não-Violência e propõe-se “aprofundar a compreensão e o empenho dos católicos na prática da não-violência evangélica”.
Para tal, convidará teólogos, cientistas sociais, investigadores e profissionais-chave da não-violência como associados, os quais, referem os promotores, trabalharão em áreas como a relação do evangelho com a não-violência, práticas não-violentas e poder estratégico, e experiências contextuais de não-violência.
A sessão de inauguração foi presidida pelo cardeal Charles Maung Bo, de Myanmar, pelo cardeal Robert McElroy, da diocese de San Diego, Califórnia, pela irmã Teresia Wachira, uma queniana especialista em questões de paz e de estudos de conflitos, e pela Maria Stephan, uma norteamerica especialista em ação não violenta e construção da paz, coautora do premiado livro Why Civil Resistance Works: The Strategic Logic of Nonviolent Conflict (Porque é que a resistência civil funciona: a lógica estratégica no conflito não violento).
O ICNV tem um comité coordenador de oito pessoas e um comité consultivo de 21, ligados às questões da não-violência e da paz, oriundas de diferentes partes do mundo, algumas delas com responsabilidades no movimento internacional promotor do Instituto.
Papa: “Que sejam a caridade e a não-violência a guiar o mundo”
A nova instituição começa já a trabalhar durante o mês de outubro, organizando em Roma seminários que abordarão as questões levantadas sobre a não-violência e a autodefesa e a formação em gestão não-violenta de conflitos. Esta atividade formativa decorre em simultâneo com a segunda sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, como contributo – fazem notar os organizadores – para as considerações sobre a não-violência feitas, pela primeira sessão sinodal, em outubro de 2023.
Na mensagem que, através do arcebispo Giovanni Ricciuti, presidente da Pax Christi Itália, enviou aos participantes, na sessão de apresentação do novo Instituto, o Papa Francisco considerou a não violência um estilo de concretização de uma política de paz, acrescentando o desejo de que “sejam a caridade e a não violência a guiar o mundo e o modo como nos tratamos uns aos outros, quer nas relações interpessoais, quer nas relações sociais e internacionais”.
O ICNV considera que a não violência nunca é passiva, é “muito mais do que a ausência de violência” e é “mais ampla do que o pacifismo”. De um modo afirmativo, sublinha que ela é “uma espiritualidade, um modo de vida, um método de mudança e uma ética universal”. Nesse sentido, é considerada “um paradigma da plenitude da vida”.
A não violência decorre do que é “o coração do Evangelho”, no qual Jesus “combinou a rejeição da violência com o poder do amor em ação”, refere uma publicação difundida pelos promotores. Por isso, os seguidores de Jesus “são convocados para o caminho da não-violência fiel, especialmente quando enfrentam as realidades de violência nas suas comunidades e em todo o mundo”
Recordando Mahatma Gandhi

A mesa da inauguração do Instituto Católico para a Não-Violência, em Roma. Foto © ICNV.
“Está no centro do Evangelho, no qual Jesus combinou a rejeição da violência com o poder do amor em ação”, refere uma publicação difundida pelos promotores.
Os seguidores de Jesus são convocados para o caminho da não-violência fiel, especialmente quando enfrentamos as realidades de violência nas nossas comunidades e em todo o mundo.
A não-violência é um paradigma da plenitude da vida. É mais ampla do que o pacifismo. É muito mais do que a ausência de violência, e nunca é passiva. A violência é totalmente oposta ao Evangelho; a não-violência está no coração do Evangelho.
O Dia Internacional da Não-Violência evoca-se a 2 de outubro, data do aniversário de Mahatma Gandhi, “líder do movimento de independência da Índia e pioneiro da filosofia e estratégia da não-violência”. Foi, de resto, Gandhi a cunhar o termo em inglês, há cerca de um século, traduzindo uma palavra do sânscrito ahimsa com 5000 anos, que incorpora quer o sentido de “não ferir”, “não rasgar”, mas também “o poder libertado pela recusa de fazer mal”
Gandhi define a não-violência como “a maior força à disposição da humanidade. É mais poderosa do que a mais poderosa arma de destruição concebida pelo engenho do homem”.










