
Um grupo de voluntários do movimento espontâneo de cidadãos Juntos por Valência rumou à região com um camião e quatro carrinhas cheios de bens doados pelos portugueses. Foto © Juntos por Valência
Quase duas semanas após as inundações na região de Valência (Espanha), a ajuda continua a ser necessária. E o Papa voltou a apelar à solidariedade para com os afetados. “Faço-vos uma pergunta: rezastes por Valência? Já pensastes em dar algum contributo para ajudar essas pessoas? É apenas uma pergunta”, disse Francisco, em tom de desafio, neste domingo, 10 de novembro, após a oração do Angelus. Em Portugal, muitos terão respondido “sim”. Não só pensaram, como ajudaram. E outros ainda vão a tempo de o fazer.
No terreno desde o primeiro instante estão a Cáritas Valenciana e a Cáritas Albacete, juntamente com as respetivas 426 Cáritas paroquiais (das quais 37 foram particularmente afetadas pela tragédia). Os esforços destas instituições católicas têm-se dividido entre a limpeza e desobstrução de estradas, o acolhimento de desalojados nos centros sociais ou em pavilhões municipais, o fornecimento de alimentos e roupas, e o apoio psicológico.
A Cáritas Portuguesa tem estado em contacto permanente com a Cáritas Espanhola e está a apelar à solidariedade de todos os que possam contribuir financeiramente para ajudar as vítimas das cheias em Valência. “Neste momento, a solidariedade em espécie está a ser canalizada a nível local e não a nível nacional, uma vez que podem não ser adequadas às necessidades da população e podem complicar a logística devido à dificuldade de acesso às zonas afetadas” explica o responsável de emergências humanitárias da Cáritas Espanhola, Yago Aparicio, citado pela Cáritas Portuguesa. “À medida que tivermos acesso ao terreno e conseguirmos identificar as necessidades, iremos comunicar quais os [outros] apoios de que vamos precisar da sociedade”, acrescenta Manuel Bretón, presidente da Cáritas Espanhola.
Os donativos podem ser feitos diretamente online, no sítio oficial da Cáritas Portuguesa, ou através de transferência bancária para o IBAN PT 50 0033 0000 01090040150 12 (Banco Montepio).
Também a diocese de Setúbal acaba de lançar uma “Campanha de Ajuda de Emergência para a Arquidiocese de Valência“, que irá decorrer ao longo de todo o mês de novembro, na qual apela ao contributo com donativos monetários. “Os fundos angariados serão usados para auxiliar as vítimas e promover a recuperação da comunidade local, fornecendo os recursos necessários para reconstruir infraestruturas essenciais e apoiar as famílias afetadas”, pode ler-se na divulgação da iniciativa.
Esta campanha de apoio a Valência surge após uma outra, de ajuda à Terra Santa, que “fechou no final do mês de outubro com um saldo de 30 mil euros”, anunciou a diocese de Setúbal. “Numa primeira fase foram já enviados ao Patriarcado Latino de Jerusalém 20 mil euros, e nos próximos dias seguirá a última tranche de 10 mil euros”.
Desde este domingo, estarão já a ser distribuídos à população mais atingida pelas inundações os bens recolhidos no Norte de Portugal por um movimento espontâneo de cidadãos. Intitulado Juntos por Valência, o grupo criou uma rede de pontos de recolha e mobilizou centenas de pessoas através das redes sociais, tendo enviado para Espanha um camião e quatro carrinhas com alimentos, produtos de higiene, roupas e outros bens doados pelos portugueses.
Chegada aos arredores de Valência, uma equipa de voluntários do grupo, que viajou desde Paços de Ferreira, verificou que existe ainda uma grande dificuldade em coordenar e distribuir a quantidade de ajuda humanitária que está a ser entregue na região. De acordo com uma reportagem da SIC, os produtos foram deixados num dos poucos locais de recolha e distribuição criados até ao momento, na localidade de Mislata, que já recebeu mais de 1.500 toneladas de bens para apoiar as populações afetadas pelas inundações.









