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Jimmy Carter

Antigo Presidente dos EUA morreu aos 100 anos

O lugar da fé na vida de Jimmy Carter (1924-2024)

| 30/12/2024

Martin Luther King Sr., Rosalynn Carter, Andrew Young, Coretta Scott King e Jimmy Carter num serviço litúrgico em 14 de Janeiro de1979, na Igreja Baptista de Ebenezer, em Atlanta. Foto © White House Staff Photographer, Domínio público, via Wikimedia Commons

Na introdução à sua auto-biografia, Jimmy Carter, o antigo Presidente dos Estados Unido que morreu domingo, 29, com 100 anos, reconhece que “a religião é um assunto pessoal e a [sua] fé já foi objecto de muita especulação pública”. No entanto, e precisamente pelo facto de ela ser tão importante no seu caminho de vida, assume o propósito de esclarecer os leitores sobre esse facto e conta tudo.

Jimmy Carter nasceu e cresceu na pequena cidade de Plains (menos de mil habitantes) no estado da Georgia, numa igreja baptista membro da Convenção Baptista do Sul, considerada a maior denominação protestante nos Estados Unidos da América. Foi professor da escola dominical, como já o fora o seu pai. Nas igrejas evangélicas, a escola dominical é o período antes do culto principal, no domingo de manhã, em que a congregação é repartida em classes etárias e conduzida num estudo bíblico pelo pastor titular ou por outros membros da igreja local preparados para essa função.

Desde as primeiras páginas de Living Faith, Jimmy Carter assume esse ministério como o mais constante ao longo de toda a sua vida. Embora tenha sido também eleito diácono, o que ele declara como mais importante é o modo de preparar essa lição dominical: “Sou muito escrupuloso ao lidar com argumentos teológicos, mas ousado na hora de relacionar as minhas crenças religiosas com a vida e os factos actuais do mundo, ainda que essas questões sejam controversas.” (O livro foi publicado pela Times Books, em 1996, e traduzido no Brasil com o título Jimmy Carter – Memórias Espirituais, editora Mundo Cristão, 1998.)

Ele conta como, quando prestava serviço militar nos submarinos, reunia uma dúzia de tripulantes sentados em beliches dobráveis entre os torpedos, e ele de pé, ao lado dos tubos de lançamento, lia um texto bíblico, fazia e respondia a perguntas, e concluía com uma oração. Já como Presidente dos Estados Unidos, quando frequentava a Primeira Igreja Baptista de Washington, partilhava as aulas da classe de adultos da escola dominical com o professor titular, vários domingos por ano.

Depois da morte do pai, quando saiu da Marinha e voltou para a cidade de Plains, aprofundou a sua cultura teológica lendo autores como Dietrich Bonhoeffer, Karl Barth, Martin Buber, Paul Tillich, Hans Kung e – como ele mesmo diz – “especialmente Reinhold Niebuhr”.

Neste regresso à administração do negócio agrícola da família, Jimmy Carter viveu todas as tensões sociais da segregação racial instituída nos estados do Sul, como a Georgia, nos anos 50 do século XX, a resistência ao movimento dos direitos civis, o boicote do Conselho dos Cidadãos Brancos à sua empresa, mais tarde os obstáculos que teve de vencer até ser eleito Governador.

Jimmy Carter

O antigo Presidente Jimmy Carter, fazendo um sermão na Igreja Baptista em Plains, a sua cidade natal na Georgia, em Janeiro de 2017. Foto © BruiserBrody10, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Viveu também por dentro, e tomou partido nos debates internos que atingiram a Convenção Baptista do Sul durante os anos 60 e 70, declarando ter ficado “desalentado quando os fundamentalistas tomaram o controlo da organização da Convenção e começaram a expulsar os líderes mais moderados e a definir de modo tacanho os critérios para os professores de seminários e currículos.” (Sobre este tema, ver o texto “O Êxodo truncado da Bíblia dos Escravos nos EUA”, publicado em Março de 2021, no 7MARGENS; na TSF, pode ler-se e ouvir um perfil biográfico e político de Jimmy Carter.)

 

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