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Sara Urbano. Foto Direitos reservados

Sara Urbano, autora do projecto

Ideia de “dar voz às margens” foi um farol para o novo desenho gráfico do 7MARGENS

| 09/01/2025

O novo símbolo e grafismo do 7MARGENS foi pensado com base na ideia de “dar voz às margens”, que sintetiza a essência e a missão do jornal, diz a autora do novo desenho gráfico e do logotipo, a designer de comunicação Sara Urbano.

Este projecto de renovação gráfica foi integrado na tese de mestrado de Sara Urbano na área de Design de Comunicação, da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, discutido em Dezembro e que obteve a classificação máxima de 20 valores.

“Dar voz às margens significa incluir e trazer visibilidade a realidades pouco representadas nos media portugueses”, diz a autora em entrevista ao 7MARGENS. “E este movimento de trazer diferentes vozes, perspectivas e vivências é essencial para promover o diálogo inter-religioso, a aceitação e empatia e a consciencialização para a mudança.”

Nesta conversa, Sara Urbano explica as razões e motivações para o desenho que idealizou e que a partir deste dia 10 de Janeiro, quando o 7MARGENS completa seis anos, os leitores podem ver.

 

7MARGENS – Destacou muito, na escolha do símbolo e do novo logotipo, a dimensão da diversidade religiosa. Esse tema era importante para si ou o seu olhar foi apenas “profissional”?

SARA URBANO – Quando a minha orientadora, professora Teresa Cabral, me propôs este projecto, o que me motivou a dizer um confiante “sim” a um tema difícil de trabalhar foi precisamente o meu interesse pelos temas ligados ao sagrado. A minha vivência pessoal da espiritualidade tem-me permitido ao longo dos anos aprofundar a conexão comigo própria e com a minha bússola interna.

Para além disso, sinto que as minhas explorações têm andando por diversos campos, o que me permite ir vendo que no fundo há muito mais que une do que separa. Porque o que une pode ser tão simples como o respeito mútuo e a empatia. E por isso, ressoou-me imenso o 7MARGENS, precisamente por ser um jornal que explora diferentes vivências religiosas, espirituais e culturais, não se fixando apenas numa religião. É um espaço aberto e plural, que promove o diálogo inter-religioso. E é um espaço como este que pode trazer mudanças significativas através da consciencialização e reflexão individual e coletiva.

Assim, para além do meu olhar profissional como designer de domunicação, também trouxe, inevitavelmente, o meu olhar pessoal e entusiasmo por contribuir para uma missão que considero tão importante.

Sara Urbano, 7Margens, Teresa Cabral, Design de comunicação, João Brandão

Sara Urbano com a orientadora científica da tese, professora Tereza Olazabal Cabral e, em segundo plano, o presidente do júri de avaliação do mestrado, João Brandão. Foto © António Marujo/7MARGENS

7M – Outro conceito que valorizou, no projecto do 7MARGENS, foi o de dar voz às margens…

Sim, no desenvolvimento deste projecto, a frase “dar voz às margens” foi um farol guia, precisamente por reunir a essência, e também a missão do 7MARGENS. Dar voz às margens significa incluir e trazer visibilidade a realidades pouco representadas nos média portugueses: “falar de tudo aquilo que ninguém fala”.

E este movimento de trazer diferentes vozes, perspectivas e vivências é essencial para promover o diálogo inter-religioso, a aceitação e empatia e a consciencialização para a mudança. Assim, o novo símbolo para a marca gráfica foi pensado com base nestes conceitos.

 

7M – O professor Paulo Maldonado questionou, na arguição, “que características particulares deve o Design ter para dar resposta” a um tipo de cliente como este jornal. Faço-lhe de novo a pergunta.

Aqui é importante referir alguns pontos. Em primeiro lugar, para se iniciar qualquer projeto de Design, é essencial criar uma familiaridade com o tema a abordar, para que a comunicação visual vá ao encontro do pretendido. Sendo a dimensão religiosa e espiritual um tema tão amplo e com tantas cambiantes, ajudou bastante o facto de já ter uma exploração pessoal das temáticas e a minha própria vivência da espiritualidade. É, de facto, um tema particular, que requer um olhar mais sensível, pois toca em aspetos intangíveis. Sinto que juntamente com a minha orientadora fomos encontrando a melhor lente para este projeto.

Para além disso, as conversas com os membros da redacção foram fundamentais para uma compreensão mais profunda do jornal. Assim, na comunicação com o 7MARGENS, foi essencial compreender toda a história passada, bem como as preocupações do presente e ambições e objectivos definidos para o futuro. Com tudo isto, num projeto de reformulação de identidade visual, uma das preocupações foi honrar estes diferentes momentos do 7MARGENS, de forma que o resultado respeitasse o passado do jornal e a comunidade de leitores, fosse ao encontro dos recursos actualmente disponíveis, mas que de certa forma apontasse também para os sonhos do futuro.

Um dos pontos mais importantes, para qualquer projecto, é a empatia, pois permite, tal como o 7MARGENS defende, “atravessar para a outra margem” e encontrar um lugar intermédio de entendimento mútuo.

 

7M – Dizia na apresentação da tese que o trabalho pretendia ajudar à “compreensão do papel do design na comunicação do fenómeno religioso e espiritual”. Qual foi o percurso até chegar aí?

O objectivo geral desta dissertação foi a reformulação da identidade visual do jornal digital 7MARGENS aplicada às diversas plataformas digitais de divulgação, nomeadamente website e redes sociais. Dado o 7MARGENS ser um jornal digital de “religiões, espiritualidades e culturas”, foram definidos objectivos secundários, sendo um deles, o de “compreender o papel do Design na comunicação do fenómeno religioso e espiritual”.

Esse objectivo foi explorado em primeiro lugar na revisão da literatura, em especial no tópico “Relações entre Design Gráfico e Religião”. Foram apresentados alguns exemplos da inter-relação do Design Gráfico com a dimensão religiosa e espiritual desde os primórdios da comunicação visual até à contemporaneidade, e através desses breves apontamentos foi possível compreender que o Design vai respondendo às diversas realidades culturais e sociais de cada época. Para além disso, ficou evidente a relevância do Design na comunicação da religião, fé, espiritualidade e contemplação, servindo como ponte e meio para a experiência religiosa e espiritual.

Esta base foi essencial para se abordar o projeto de design com sensibilidade, tentando refletir através de uma nova imagem visual o fenómeno religioso e espiritual abordado pelo 7MARGENS, bem como a sua essência única como projeto jornalístico.

Sara Urbano. Foto Direitos reservados

Sara Urbano. Foto Direitos reservados

7M – Quando iniciou o trabalho, havia pouca bibliografia sobre o tema. Isso quer dizer que o fenómeno religioso e espiritual liga pouco ao Design, que esta disciplina não se interessa pelo religioso, ou o problema é outro?

De facto, uma das dificuldades que encontrei foi a escassa literatura científica sobre a temática abordada. Relativamente às relações entre o Design e o fenómeno religioso e espiritual, foi possível encontrar bibliografia. O Design tem vindo a deter diversos papéis na esfera da Religião e Espiritualidade: representação simbólica do sagrado; meio para a experiência do divino; comunicação das instituições; crítica social e política; consciencialização para a mudança; entre outros.

A dificuldade foi encontrar conhecimento científico que investigasse a interseção do design de comunicação com o jornalismo espiritual e religioso. Aí sim, encontrei uma lacuna que foi possível explorar com o desenvolvimento deste projecto.

 

 

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