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A Igreja Católica continua a servir o povo de Myanmar, apesar das dificuldades. Foto ACN

Quatro anos de ditadura militar

Myanmar: mais seis meses de estado de emergência

| 02/02/2025

 

O regime militar de Myanmar celebrou o quarto aniversário do golpe de Estado de 1 de fevereiro de 2021 prorrogando o estado de emergência por mais seis meses, numa altura em que as milícias étnicas e as forças de resistência controlam 95 cidades, limitando o poder dos militares às áreas mais povoadas e às grandes cidades (21% do território). O risco de fome generalizada, bem como os contínuos crimes de guerra perpetrados pelo exército, têm sido denunciados nos últimos relatórios da ONU.

Os generais reiteraram também a sua intenção de realizar eleições até ao final deste ano, mas sublinharam que, no entanto, “ainda não existem condições para um voto livre e democrático”, condições que nenhum observador independente acredita que alguma vez promovam.

Num artigo publicado na agência católica Asia News de 2 de fevereiro, a jornalista Alessandra De Polin escreve que “até agora, a China continua a ser o principal apoiante da junta [militar] e defende a ideia de realizar eleições, mesmo que estas sejam apenas uma cortina de fumo, mantendo ao mesmo tempo relações com as milícias étnicas”. Esta atitude ambígua de Pequim deriva do facto de, por um lado, manter fortes relações comerciais com o país e estar a construir nele algumas infraestruturas cruciais da ‘Nova Rota da Seda’ e, por outro, defender os seus próprios cidadãos vítimas de centros de fraude online que proliferaram ao longo da fronteira de Myanmar com a Tailândia. As milícias étnicas e as forças da resistência armada têm sido mais eficazes do que o exército regular no combate a esses centros de fraude digital.

“Este ano – antecipa a jornalista – promete ser um ano ainda mais difícil. Quase metade da população vive agora abaixo do limiar da pobreza e 3,5 milhões de pessoas estão deslocadas sem acesso a serviços essenciais. Desde 2020, o produto interno bruto contraiu nove por cento, enquanto a moeda entrou em colapso a tal ponto que as importações se tornaram insustentáveis, com a inflação a atingir os 25 por cento, anulando o progresso económico alcançado na década anterior ao golpe. Em algumas regiões, o preço do arroz aumentou 47 por cento.”

Na última semana de janeiro, a agência Vatican News destacava o “acordo formal de cessar-fogo [alcançado a 21 de janeiro ] entre a junta militar golpista e o Exército da Aliança Democrática Nacional, um grupo étnico rebelde que atua no nordeste do país”, como sinal de “esperança”, um passo “em direção a uma solução pacífica para o conflito que está ensanguentando e matando a população de fome”, mas reconhecia que “acordos semelhantes têm sido, posteriormente, desrespeitados”.

O golpe militar de 1 de fevereiro de 2021 terá provocado. Lia-se nesse artigo da Vatican News, “mais de 15.000 mortos, dezenas de milhares de feridos e mais de um milhão de pessoas deslocadas internamente”, além de um número incontável de presos políticos.

 

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