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Combate às alterações climáticas será inútil sem desenvolvimento dos pobres, alerta OCDE

| 27/09/2019

Combate às alterações climáticas será inútil sem desenvolvimento dos pobres, alerta OCDE

by | 27 Set 19 | Casa Comum, Destaques, Newsletter diária - título, Últimas

A estátua da liberdade transformada em “estátua da poluição” pedindo “Fim do crime climático”: os pobres vão ficar para aumentar se não se pensar neles, avisa a OCDE. Foto © Leonhard Lenz/Wikimedia Commons

 

“O combate às alterações climáticas será inútil sem investimento no desenvolvimento dos países mais pobres,” avisa a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), num relatório apresentado durante a Cimeira do Clima, que decorreu esta semana nas Nações Unidas.

No documento, a organização avisa ainda para a possibilidade de, em 2030, haver mais de 100 milhões de novos pobres em todo o mundo. Para se conseguir limitar a temperatura global a 1,5 graus (comparando com a da era pré-industrial), será necessário investir “sete mil milhões de dólares, dois terços dos quais são precisos para os países em desenvolvimento”, conforme afirmou Jorge Moreira da Silva, diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE, em declarações à Lusa, citadas no Expresso.

Moreira da Silva acrescentou que “por maior que seja a ambição dos países mais ricos com as metas para a redução do aquecimento global, não será possível combater as alterações climáticas sem dar atenção aos países em desenvolvimento.”

O documento da OCDE foi apresentado terça-feira, 24, em Nova Iorque, e pretende colocar no mesmo patamar o desenvolvimento e ação climática na mesma frente. As duas áreas não podem continuar em “caixas separadas”, disse o ex-ministro português do Ambiente e Energia, que tutelou essas pastas no anterior Governo.

Há um desfasamento entre políticas públicas e ambição climática, acrescentou Moreira da Silva. Como exemplo disso, citou: “Só 20% dos 150 mil milhões de dólares de ajuda anual aos países em desenvolvimento é que têm uma avaliação do seu impacto nas alterações climáticas.”

 

Menos glaciares

Um outro relatório divulgado na quarta-feira, 25 de setembro, do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU, prevê um cenário de consequências dramáticas para o planeta: mais inundações costeiras, mais tempestades tropicais, menos biodiversidade, menos glaciares e milhões de pessoas que vivem em regiões costeiras a ficar em risco.

Este é o primeiro documento do IPCC dedicado apenas aos oceanos e às partes geladas do planeta. Os mares ficarão doentes, afetando toda a vida na Terra, conclui o relatório, que prevê ainda “eventos extremos de subida do mar que são historicamente raros”, pois acontecem uma vez por século no passado recente. Estes começarão a acontecer cada vez com mais regularidade, “pelo menos uma vez por ano” a partir de 2050, afetando mais as regiões tropicais, de acordo com o documento, resumido pelo jornal Público.

De acordo com estas previsões, Portugal está também entre as regiões potencialmente afetadas, sobretudo quando se registam marés altas e tempestades intensas.

Não se ficando pelo diagnóstico, o IPCC alerta que as respostas a estas previsões parecem simples: reduzir de vez as emissões de dióxido de carbono e adaptar as regiões à profecia que se vai cumprindo dia após dia; ou lidar com algumas consequências irreversíveis.

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