Na homilia da missa que assinalou o 20º aniversário da morte do Papa João Paulo II, nesta quarta-feira, 2 de abril, o cardeal Pietro Parolin lembrou “o seu amor apaixonado por Cristo” e o “serviço incansável em prol da paz”. O secretário de Estado do Vaticano, que presidiu à celebração na Basílica de São Pedro, lamentou que muitas das advertências do santo polaco não tenham sido ouvidas e pediu-lhe que “abençoe esta humanidade dilacerada e desnorteada, para que encontre o caminho da sua dignidade”.
“Recordamos com gratidão e admiração o seu serviço incansável em prol da paz, as suas advertências apaixonadas, as suas iniciativas diplomáticas para tentar até ao fim evitar as guerras”, afirmou Parolin, perante os vários responsáveis da Cúria Romana, membros do corpo diplomático e autoridades políticas, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que ocupavam os primeiros bancos da basílica.
“Comprometeu-se a responder com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças, nos 26 anos do seu imenso pontificado, indo até aos confins do planeta, peregrino incansável até aos confins da terra, para levar o anúncio do Evangelho de Jesus”, resumiu o cardeal.
Recuando até ao ano de 2005, Pietro Parolin evocou os dias que antecederam a morte de João Paulo II, em particular a Via Sacra de Sexta-feira Santa no Coliseu de Roma, com a oração da multidão acompanhada pela imagem do Papa, abraçado à cruz, na sua capela, bem como as multidões se uniram “para o último adeus terreno ao seu grande pastor”.
Para o secretário de Estado do Vaticano, o Jubileu do Ano 2000 foi “o momento culminante da sua existência, quase a realização da sua missão”, a de levar todas as dimensões da realidade, da Igreja e da atividade humana “a redescobrir o seu significado em relação à pessoa de Cristo, ‘único Redentor do homem’”.
“As suas palavras continuam a inspirar-nos e ecoam hoje nas do seu sucessor Francisco, mesmo neste novo Jubileu. Ele vê-nos como Igreja em saída, navegadores em águas agitadas, mas ainda peregrinos da esperança, nas fontes da misericórdia e da graça, guiados pelo sucessor de Pedro e assistidos pelo Espírito Santo”, assinalou Parolin.
Pouco antes, no início da celebração – cujo resumo pode ser visto no vídeo abaixo – a saudação do cardeal Stanislaus Dziwisz, arcebispo emérito de Cracóvia e ex-secretário pessoal do Papa Wojtyła, procurara expressar os sentimentos de todos os fiéis, não apenas dos muitos presentes na Basílica. “Acreditamos firmemente que ele mesmo agora nos olha do alto”, enfatizou o cardeal, “apoiando toda a Igreja na sua peregrinação rumo à eternidade”. E recordara como, no seu testamento, João Paulo II expressou “a confiança de que Cristo tornaria a sua morte útil para a causa mais importante”: a “salvação da humanidade, a preservação da família humana e, nela, de todas as nações e povos”.
Hoje, afirmou Dziwisz, a Igreja está ciente de “quantos frutos a sua santidade produz”. E convidou todos a rezar pela saúde do Papa Francisco, para que “o Senhor lhe dê a força necessária para conduzir a Igreja peregrina neste ano jubilar sob a bandeira da esperança, nestes tempos difíceis para a Igreja e o mundo”.










