Temos assistido no nosso país a um rancor enorme com os Imigrantes, a disposição em leis de legislação concorre para a intervenção dos poderes políticos no desconhecimento do que é realidade da vida destas pessoas. Porque são pessoas, nunca se esqueçam aqueles que invocam ser cristãos e tão maltratam estas pessoas, que por algumas razões escolheram Portugal para viver. Jesus com os seus pais viu-se refugiado longe da sua terra, se não fosse assim era assassinado pelo poder político. Não consta que alguma vez tivesse ido à embaixada do país de acolhimento ou fosse com visto de trabalho, teria sido assassinado quando se fosse pedir qualquer visto. Não sei onde Jesus viveu quando estava “fugido”, mas talvez em algum barraco que lhe serviu por casa, não sei em que José, seu pai, trabalhou para manter a família. Mas sei que fugiu à morte. As autoridades locais não lhe deitaram abaixo a “casa”, nem escorraçaram a família porque não possuía posses para viver. Os filhos de Jacob, e depois a restante família, foi para o Egito, para fugir à fome, não consta, porém, a imperatividade de um visto antes. Abraão fugiu à fome e foi pelas estradas. Sei que não estamos no tempo deles e há que nos posicionar no nosso tempo. Mas um “tempo” onde não existe solidariedade e amor por aqueles que procuram o meu País, Portugal, para viver não pode se desligar dessa missão solidária, até porque é cristão, na sua essência. Os imigrantes não saíram do seu país porque queriam, foi pela necessidade de segurança ou melhoria económica, assim como nós portugueses – e são tantos! – ainda emigram para outros países para conseguirem uma vida melhor. Devemos tratá-los como gostaríamos que sempre tivessem tratado os nossos, ou não será? E mesmo que não tenham tratado os nossos como gostaríamos, nós não poderemos seguir esse exemplo.

“Não sei onde Jesus viveu quando estava “fugido”, mas talvez em algum barraco que lhe serviu por casa, não sei em que José, seu pai, trabalhou para manter a família. Mas sei que fugiu à morte.” Pintura: Fra Angelico (1395–1455) – Fuga para o Egito. Museu de São Marco, Florença.
Um país não é uma terra isolada no nosso planeta, nem este está isolado no Universo, que ainda não sabemos o que é. Nem existe um problema de “raça” ou de “religião”, existimos nós, e este “nós” só tem sentido se nele estiverem contidos “muitos outros”. Aliás “O acolhimento dos migrantes” é um dos desafios que deixa o Papa Francisco ao seu sucessor. Escreve o autor Christophe Henning, no seu livro “Leão XIV – o sucessor inesperado”: “Desde 2013 que o Papa Francisco fez da defesa dos migrantes refugiados e das pessoas deslocadas uma prioridade da sua ação pastoral e diplomática. Filho de migrantes italianos instalados na Argentina, Jorge Mario Bergoglio transporta consigo essa atenção à questão das deslocações forçadas, que considera como um desafio não só à humanidade, mas também espiritual e moral”[1].
Necessário se torna que ao mais alto nível da Igreja Católica e outras Igrejas, se denuncie quem contrariar esta amizade com os outros. É dever de todo o episcopado alertar para “casas da igreja que são vendidas a outros” que não os habitantes, cargas policiais e derrube de barracas – que afinal são as casas de quem não tem o poder económico para pagar rendas -, ou abuso sarcástico de ditar nome de crianças em publico, só porque os seus pais são de outros países. No meu Portugal isto não pode acontecer.
[1] Henning, Christophe . “Leão XIV – o sucessor inesperado” ((2025). Editorial D. Quixote. Lisboa.
Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.










