Leão XIV recebeu na manhã desta segunda-feira, 20 de outubro, a comunidade do Pontifício Colégio Português de Roma, que está a celebrar 125 anos da sua fundação, convidando todos a edificar “uma casa colegial que seja também acolhedora, como deve ser a Igreja”.
Fundado no Jubileu de 1900 pelo Papa Leão XIII, o Colégio Português de Roma tem como finalidade “favorecer o anúncio do Evangelho” na missão da Igreja “chamada hoje a reforçar o seu estilo sinodal”, e fazendo “crescer a comunhão”, lembrou o Papa.
Porque “quando nós, para a promoção humana e para a glória de Deus, nos escutamos uns aos outros e respeitamos o que o Espírito Santo suscita em cada fiel, distinguimos com maior clareza e confiança os sinais dos tempos, trabalhando unidos na construção do Reino de Cristo”, justificou Leão XIV perante a delegação do Colégio, entre a qual se encontravam o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, e o cardeal António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima. E na perspetiva do Papa, “estar em Roma para aprofundar o estudo da teologia ou das ciências humanas e sociais implica exercitar-se cada vez mais na arte da escuta, tão importante para a unidade entre nós, discípulos do Senhor”.
O Papa sublinhou que a presença de estudantes de várias culturas e dioceses em Roma é “um dom”, convidando a viver abertamente o intercâmbio cultural e espiritual que ali se promove. “Encontramos isto mesmo escrito na história do Colégio, que recebeu o título ‘Casa de Vida’, devido ao acolhimento dos judeus durante a II Guerra Mundial. Este título é, ao mesmo tempo, uma herança e uma responsabilidade na vossa quotidiana construção da fraternidade”, destacou.
Leão XIV refletiu depois sobre duas dimensões de viver na Cidade Eterna, em particular durante os Jubileus: a dimensão da universalidade da Igreja e a da misericórdia divina.
Segundo o Papa, “os jubileus permitem ver a chegada de muitos peregrinos, intensificando assim a compreensão da universalidade da Igreja”, e em Roma os estudantes do Pontifício Colégio Português experimentam isso “de diversas maneiras, seja partilhando a beleza das suas culturas, seja testemunhando a riqueza das suas Igrejas locais e da experiência pastoral que trazem consigo”. “Viver tudo isto é dom do Senhor e a melhor maneira de Lhe agradecer é entrar, sem medo, na vitalidade deste intercâmbio, contribuindo para a policromia da unidade e para a polifonia da comunhão”, sublinhou.
“Além disso, sabemos que os anos jubilares são uma oportunidade para intensificar a consciência do dom da misericórdia que brota do Coração de Cristo”, disse ainda o Papa, ressaltando que “é precisamente o Sagrado Coração de Jesus que marca, desde o início, a história do Colégio Português, aparecendo até mesmo no seu brasão. A Ele, com efeito, se consagraram os primeiros estudantes”. “Continuem a fazê-lo! Continuem a confira a vossa vida ao Coração do Senhor; aproximem-se cada vez mais dele e aprendam com Ele a misericórdia”, apelou Leão XIV, acrescentando: “Um Colégio consagrado ao Coração de Jesus é escola da divina misericórdia, na qual os estudantes, imitando o discípulo amado, escutam o pulsar do amor de Deus, tornando-se assim verdadeiros teólogos. Na verdade, um sacerdote, qualquer que seja a missão que lhe foi confiada, encontra sempre nela uma ocasião para se configurar a si mesmo com o Bom Pastor: não lhe basta um coração de carne, um coração humano e sábio, mas sente a necessidade de um coração como o de Jesus, sempre unido ao Pai, apaixonado pela Igreja e cheio de compaixão.”
“Ao permanecerem na presença do Senhor, após dias exigentes de trabalho, vocês podem encontrar nele alívio e ‘costurar’ a unidade da vida”, frisou o Papa, convidando a Comunidade do Pontifício Colégio Português a pedir a Deus “sempre um coração capaz de amar a Igreja como Ele, que ‘se entregou por ela»'”, e a rezar pelos fiéis que amanhã servirão nos seus países.
O Papa convidou-os, por fim, a trabalhar “em conjunto com o apoio do reitor e dos diretores espirituais, e também com a preciosa presença das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias”. “Obrigado, queridas irmãs, pela vossa dedicação aos sacerdotes, pelas orações que elevam ao céu por eles e pela vossa atitude maternal! A proximidade da maternidade espiritual ninguém a pode substituir, e vocês estão a doá-la e refiná-la há cinquenta anos: apesar de ser discreta, não passa despercebida a Deus”, concluiu Leão XIV.
O Pontifício Colégio Português está ao serviço das dioceses nacionais, para a formação dos padres nas instituições de ensino de Roma, e acolhe também, há vários anos, presbíteros dos países lusófonos e outras partes do mundo.










