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Pessoas a caminhar no Irão. Foto © Ninara

Mais de 30 mil demitidos

Afastamento de professores e estudantes no Irão lembra “purga” dos Bahá’is

| 13/10/2023

Pessoas a caminhar no Irão. Foto © Ninara

Já foram dispensados 32 mil professores que se encontravam efetivos, só na Universidade Islâmica de Azad, a qual conta com diversos polos por todo o país. Foto © Ninara.

 

O afastamento de milhares de professores e estudantes das universidades e escolas iranianas ao longo dos últimos meses – por protestarem face às medidas de segurança impostas nos campus universitários durante as manifestações pacíficas contra as leis que obrigam as mulheres a usar o véu – “lembra a purga de professores e estudantes bahá’is que começou naquele país logo após a Revolução Islâmica de 1979”, assinalou esta quinta-feira, 12 de outubro, a representante da Comunidade Internacional Bahá’i nas Nações Unidas, Simin Fahandej.

De acordo com o jornal reformista iraniano Etemad, citado pelo Iran Wire, já foram dispensados 32 mil professores que se encontravam efetivos, só na Universidade Islâmica de Azad, a qual conta com diversos polos por todo o país. “Agora, estes milhares de estudantes e os seus professores dedicados e com os mais elevados graus de instrução estão a ser forçados a partilhar a angústia e a perda que foram infligidas aos bahá’ís durante mais de 44 anos – aumentando a opressão de todos na sociedade iraniana”, assinalou Fahandej, num comunicado divulgado através do site da comunidade.

A representante na ONU recordou que a República Islâmica proibiu dezenas de milhares de jovens bahá’ís de frequentar a universidade desde a sua criação por causa da sua fé, “privando-os não só da educação universitária, mas também do emprego e do desenvolvimento intelectual, matando as suas esperanças de uma carreira gratificante e próspera”.

“Não conseguir capitalizar este talento e desejo de servir é uma perda terrível para o país e uma vergonha nacional”, afirmou, explicando que “durante muitos anos, os bahá’ís que passaram nos exames nacionais de admissão às universidades do Irão foram posteriormente informados de que as suas candidaturas estavam ‘incompletas’ ou ‘defeituosas’, apesar de isto ser impreciso”. Paralelamente, os professores bahá’is foram “assediados, detidos e presos por ensinar e dar aulas particulares a crianças e jovens em todo o país”.

 

Discriminação continua

Simin Fahandej denunciou ainda que, “nas últimas semanas”, os candidatos universitários da comunidade Bahá’í no Irão “foram convidados a assinar um formulário de declaração renunciando às suas crenças para poderem ser admitidos na universidade”, o que configura uma violação do seu direito à educação, bem como à liberdade de consciência, religião ou crença.

O formulário foi produzido pelo Ministério da Ciência, Investigação e Tecnologia do Governo iraniano e pode ser encontrado em persa e inglês no website dos Arquivos da Perseguição Bahá’í.

“Ao publicar este formulário, o governo iraniano mostrou mais uma vez a sua verdadeira face. Quatro décadas de mentiras e enganos oficiais – dizendo que os bahá’ís não são discriminados pelas suas crenças – são mais uma vez expostos”, conclui Fahandej.

 

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