A Aliança Evangélica Portuguesa reagiu esta segunda-feira, 24, às notícias divulgadas na semana passada sobre o casal fundador de uma alegada Igreja Evangélica no Seixal, que está neste momento a ser investigado por auxílio à imigração ilegal. Em comunicado enviado à comunicação social, a instituição manifesta “o seu repúdio pelas práticas reportadas” e assegura que “a dita instituição não pertence à Aliança Evangélica Portuguesa, nem tão pouco as práticas reportadas permitiriam a respetiva inscrição”.
O caso veio a público na sequência de uma reportagem transmitida na SIC no dia 19 de março, denunciando que mais de uma centena de pessoas estão a viver em condições precárias numa garagem, no Seixal, onde chegam a pagar quase 400 euros por mês por um quarto improvisado.
Esse será apenas um dos espaços no concelho que o alegado pastor Zaqueu Pereira e a sua companheira exploravam, depois de se aproveitarem dos contactos que tinham através da igreja que eles próprios fundaram, intitulada Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Mangualde em Amora. O casal aproveitou-se também “da credibilidade que a condição de Pastores e Ministros de Culto lhes conferia entre os crentes e, por outro lado, da vulnerabilidade dos cidadãos estrangeiros, na maioria brasileiros, e da precariedade em que se encontravam, propícia a que aceitassem as condições que lhes apresentavam”, refere a acusação do Ministério Público, citada pelo Jornal de Notícias dois dias depois de a reportagem ter vindo a público.
“Estes imigrantes pagavam aos arguidos pelos documentos necessários à legalização e, simultaneamente, ‘alimentavam’ e mantinham em funcionamento, com ‘clientes’ em permanência, o negócio de arrendamento de quartos, do qual os arguidos obtinham avultados proventos”, prossegue a acusação.
A Aliança Evangélica Portuguesa sublinha que são “desadequadas as notícias de manchete evocando a expressão Evangélicos, Igreja Evangélica ou Pastores Evangélicos” relativamente aos acusados, pois “são genéricas e, por isso, afetam a honra, a dignidade e a credibilidade de todas as igrejas evangélicas, de todos os pastores evangélicos e de todos os evangélicos, que não se reveem nas práticas noticiadas”.
“Alerta-se ainda os cidadãos em geral para se certificarem de que a entidade religiosa está inscrita na Aliança Evangélica Portuguesa como forma de distinguir as igrejas evangélicas reconhecidas por esse organismo em Portugal, das não reconhecidas. Para o efeito poderão consultar o site https://aliancaevangelica.pt/site/igrejas/“, acrescenta o comunicado.
A AEP deixa ainda um apelo para que “o púlpito, ou a comunicação oficial de qualquer igreja evangélica, não sejam usados para divulgação ou instrumentalização de qualquer campanha partidária” e recusa que “o nome Evangélico seja associado a qualquer partido”. De acordo com a reportagem da SIC, o objetivo de Zaqueu Pereira e da mulher – que se “intitulam evangélicos há quase 20 anos, metade do tempo no Seixal, e antes disso em Mangualde” – é “fundar um partido para tentar entrar no Parlamento”.










