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“Dá-me muita alegria ver estas jovens mulheres a crescer e transformar as suas mentes e corações”, afirma a irmã Elda Kanisia Msemwa. Foto: Direitos Reservados.

Uma missionária em Moçambique

Aqui, não contamos as horas, mas dedicamos tempo

| 15/02/2026

Sou a irmã Elda Kanisia Msemwa, Missionária da Consolata, tenho 36 anos e nasci na Tanzânia. Após uma experiência missionária na minha terra natal, fui destinada a Moçambique, onde cheguei a 25 de março de 2023. O meu coração era uma mistura de muitas emoções: estava muito feliz por ir para esta terra, mas também sentia medo, porque Moçambique passava por um período de instabilidade e falta de paz, especialmente na região norte do país. Mas eu tinha muita fé.

Fui recebida com muita alegria pelas irmãs e por pessoas queridas, que me acolheram com sorrisos e simplicidade. Esse acolhimento fez-me sentir imediatamente em casa. Quando cheguei, não conseguia dizer muitas palavras porque não conhecia o idioma. Comuniquei, principalmente, com o sorriso e com amor.

Durante alguns meses, fiquei em Maputo, a capital do país, para aprender a língua. As irmãs ajudaram-me a praticar o idioma, incentivaram-me a falar e corrigiram-me com simplicidade quando cometia erros. Em pouco tempo, consegui entender algumas coisas e expressar o que precisava de dizer. Foi uma experiência de aprendizagem maravilhosa.

Enquanto vivi na capital, participei na vida da Igreja. O que me trouxe alegria foi a simplicidade da vida, o bom acolhimento que fazia com que todos se sentissem em casa, a liturgia vibrante e a Igreja aberta ao ministério, onde todos podem servir, especialmente as mulheres e os leigos.

irmã Elda Kanisia Msemwa

“Também trabalhamos numa escola e num centro de acolhimento para meninas que vão estudar para Massinga.” Foto: Direitos Reservados.

Também tive a graça de participar no cuidado às irmãs doentes. Foi um momento de graça poder assistir nos últimos momentos das suas vidas. Aprendi muito com essas irmãs: fidelidade à sua vocação e missão até o fim, grande amor pelas pessoas que lhes foram confiadas, pela Consolata e por Cristo, mesmo em momentos de dor. Foi uma situação que me desafiou, no início da minha vida missionária.

Depois de estudar o idioma, fui enviada para Massinga, na província de Inhambane, a 500 quilómetros da capital, uma cidade densamente povoada. Ao chegar, encontrei uma comunidade de quatro irmãs. Por um tempo fomos cinco e agora somos três. A comunidade atua na paróquia, onde colaboramos com três padres diocesanos: visitamos as comunidades, as famílias, os doentes e outros grupos de pessoas.

Participamos também em momentos de alegria – como casamentos e aniversários – mas também em alturas de dificuldade, acompanhando quem vive o luto e estando com as pessoas em tempos de instabilidade política. Os momentos de celebração são de grande valor porque as pessoas reconhecem que a vida é uma dádiva de Deus, e a celebração é um momento para dizer “Obrigado”, juntos.

Também trabalhamos numa escola e num centro de acolhimento para meninas que vão estudar para Massinga. Passo a maior parte do meu tempo com as meninas do nosso lar: elas vêm de áreas rurais, sem escolas de ensino secundário. As suas famílias não têm condições para pagar a educação dos filhos; por isso, como comunidade, acolhemo-las e fazemo-las sentir em casa, permitindo que frequentem o ensino secundário.

Depois, algumas delas pedem para integrar a nossa família da Consolata. O trabalho árduo consiste em fazê-las sentir-se acolhidas, amadas, apoiadas e valorizadas, dando a cada uma delas o espaço para crescer no seu próprio ritmo, ouvindo-as e procurando responder às suas preocupações. Estou muito feliz por poder fazer parte da construção do seu futuro e dá-me muita alegria ver estas jovens mulheres a crescer e transformar as suas mentes e corações.

irmã Elda Kanisia Msemwa

A irmã Elda nasceu na Tanzânia e está em missão em Moçambique. Foto: Direitos Reservados. 

Estar na missão é sempre uma experiência de aprendizagem: através destas meninas aprendo muitas coisas. Elas ensinaram-me muito sobre o respeito pelas pessoas: quando se cumprimenta um grupo, não se trata apenas de uma saudação genérica, mas de cumprimentar cada pessoa, perguntando como ela está. Achei isso muito bonito, porque demonstra o valor de cada pessoa.

Agradeço ao Senhor por me dar a oportunidade de viver e compartilhar a minha vida com estas pessoas, que me ajudam a crescer tanto na minha vocação missionária. Ao longo destes anos, aprendi que a missão não se resume a ensinar ou fazer coisas. Também é importante ouvir com o coração, estar presente, fazer com que cada pessoa se sinta acolhida, ouvida e valorizada. Aqui, não contamos as horas, mas dedicamos tempo. As pessoas ensinaram-me a dedicar tempo a tudo o que faço, porque às vezes corremos de um lado para o outro, esquecendo o valor do indivíduo.

 

 

 

Elda Kanisia Msemwa é religiosa das Missionárias da Consolata

 

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