Músicas pela paz (3)

As mães conseguirão fazer-se ouvir?

| 22 Out 2023

Imagem do vídeo de Yael Deckelbaum - Prayer Of The Mothers (Oração das Mães)

Imagem do vídeo de Yael Deckelbaum, Prayer Of The Mothers (Oração das Mães)

 

Há mulheres, muitas, que marcham, vestidas de branco, lado a lado, sorridentes, em festa – e fazem-no pela paz. São quatro mil, duas mil israelitas, duas mil palestinianas, que caminharam em direção a Jerusalém, para pedirem a paz numa terra a que muitos chamam santa e vive em estado (quase) permanente de guerra e conflito.

Estávamos em 2016, há sete anos, no dia 19 de outubro, e aquelas mulheres tomaram em mãos a vontade de muitas e muitos naquelas terras do Médio Oriente – a de lutar pela paz sem armas nas mãos. Partiram a 4 de outubro de Qasr el Yahud (a norte do Mar Morto) na “Marcha da Esperança”, até Jerusalém.

A cantora e compositora israelita, também ativista por esta causa, Yael Deckelbaum, juntou-se a esse grupo de mulheres, apresentadas como “corajosas”, que se tinham unido no movimento Women Wage Peace, quando em 2014 se registou uma escalada no conflito, com mais um episódio de guerra entre israelitas e palestinianos. A operação militar de então recebeu o nome de Tzuk Eitan, pelo lado israelita – e os objetivos enunciados na boca de políticos foi muito semelhante ao de agora. 

Yael Deckelbaum juntou-se então a essas mulheres – incluindo Lubna Salame, Miriam Toukan, e também Daniel Rubin, nas principais vozes – , para cantar Prayer Of The Mothers (“Oração das Mães”), em hebraico, árabe e inglês.

As marchas foram acompanhadas pela Nobel da Paz, Leymah Gbowee, que conseguiu conduzir a Libéria à paz, pondo um ponto final da guerra civil, em 2003, pela força conjunta de mulheres. Na música, Yael incluiu uma gravação de Leymah, em que esta deixa um veemente apelo à paz.

A mensagem permanece mais atual do que nunca. “Do norte ao sul, do oeste para o leste, ouçam a oração das mães, tragam-lhes paz.” Ouvirão os senhores da guerra este apelo?

 

 

Sem qualquer intuito antológico ou preocupação de regularidade, o 7MARGENS procura chamar a atenção, nestes tempos, para músicas que traduzam a urgência da paz em relação a guerras e conflitos que persistem no mundo. Depois de dois primeiros textos sobre a guerra da Ucrânia e o Afeganistão, esta chamada de atenção prosseguirá, aberta à participação dos leitores e leitoras: quem assim o desejar pode sugerir músicas ou partes de obras musicais que possam traduzir a importância da paz, nomeadamente em regiões em conflito. Podem fazê-lo acompanhando a sugestão de algum pequeno texto. 

 

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Está um dia de sol. O caminho pelo jardim é sempre um bom começo. Apresso o passo pois sei que estou atrasada. O auditório está quase cheio e no pequeno palco alguém inicia a conferência de abertura. Para me sentar, passo frente a quem chegou a horas e tento ser o mais discreta possível. Era o primeiro tempo do PARTIS (Práticas Artísticas para a Inclusão Social) de 2024 na Fundação Gulbenkian. O tema “Modelos de escuta e participação na cultura” desafiou-me a estar e ganhei esse tempo! [Texto Ana Cordovil]

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