“A prevenção do abuso não é um manto que se lança em resposta a emergências, mas um dos alicerces sobre os quais se constroem comunidades fiéis ao evangelho”. Quem o diz é o Papa Francisco, numa mensagem que enviou, ainda a partir da Clínica Gemelli, aos participantes da Assembleia Plenária da Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores, que decorre esta semana no Vaticano.
O Papa refere-se, depois, às práticas de prevenção promovidas pela Comissão, sublinhando que quando ela implanta tais práticas, “mesmo nas comunidades mais remotas, está a escrever uma promessa: “que cada criança, cada pessoa vulnerável, encontrará um ambiente seguro na comunidade eclesial”. “Esta é a força motriz do que deveria ser para nós uma conversão integral”, acrescentou.
Na mensagem, o Papa também enfatiza que a proteção das vítimas e sobreviventes não se limita a protocolos, mas “envolve formação, prevenção e escuta ativa, e pede que as vítimas sejam acolhidas com o coração, encontrando na Igreja um lugar seguro e compassivo, onde a sua dignidade seja restaurada”. É que, observa, “onde há uma criança ou uma pessoa vulnerável em segurança, ali se serve e se honra Cristo”.
A fim de que a Comissão seja constituída por “sentinelas que vigiam enquanto o mundo dorme”, o Papa apela a que ela assuma três compromissos: crescer no trabalho em comum com os dicastérios da Cúria Romana; oferecer às vítimas e aos sobreviventes hospitalidade e cuidado para as feridas da alma, no estilo do bom samaritano; e construir alianças com entidades extra-eclesiais, nomeadamente autoridades civis, especialistas e associações, para que “a proteção se torne uma linguagem universal”.
Sobre a hospitalidade a dar às vítimas – crianças e pessoas vulneráveis – o Papa Francisco é mais específico, observando que importa “escutar com o ouvido do coração, para que cada testemunho encontre não registos a serem preenchidos, mas entranhas de misericórdia das quais possa renascer”.










