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A associação MEERU promove relações de amizade entre famílias migrantes ou refugiadas e pessoas locais das comunidades onde vivem. Foto MEERU

Impacto Social

Associação MEERU aposta na amizade como fator de integração

A associação MEERU promove relações de amizade entre  famílias migrantes ou refugiadas e pessoas locais das comunidades onde vivem. Foto MEERU

A associação MEERU promove relações de amizade entre famílias migrantes ou refugiadas e pessoas locais das comunidades onde vivem. Foto © MEERU

Desenvolver relações de amizade entre pessoas de culturas diferentes e impedir que migrantes e refugiados se vejam em situações de isolamento social. Dois grandes objetivos que norteiam o projeto MEERU Aproxima que foi recentemente premiado com o galardão Óscar Arnulfo Romero. A Associação MEERU – Abrir Caminho, que desenvolve esta iniciativa, foi também selecionada para receber um financiamento no âmbito do programa Democracia e Sociedade lançado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

“Para nós, este reconhecimento não é apenas uma validação dos nossos esforços, mas principalmente uma mensagem poderosa de que é possível construirmos pontes e lugares de pertença alicerçados no valor inalienável da dignidade humana”, afirma a organização em reação à conquista do prémio Óscar Arnulfo Romero.

Pedro Amaro Santos, CEO e co-fundador da MEERU – Abrir caminho, revela, em declarações ao 7MARGENS, os detalhes do projeto premiado. Trata-se de um “projeto de acompanhamento, de fortalecimento, de criação de relações de amizade entre pessoas locais, equipas de voluntários e famílias migrantes e refugiadas, que estão em situação de isolamento social e precisam de amigos com quem partilhar a vida”.

O MEERU Aproxima “tem um objetivo principal e central em toda a sua ação”, explica. “É poder criar um espaço, uma plataforma ou um programa, em que pessoas locais que são nossos voluntários partilham a vida com pessoas migrantes e refugiadas, de forma a que estas comunidades não estejam em situações de isolamento, para que essas pessoas tenham amigos, para que essas pessoas possam ser empoderadas, crescerem, incluírem-se, participarem de pleno direito e ao mesmo tempo para que as nossas comunidades sejam mais coesas, mais diversas, interculturais”, acrescenta.

Com intervenção em nove cidades do norte do país (Viana do Castelo, Braga, Barcelos, Trofa, Maia, Gondomar, Porto, Vila Nova de Gaia e São João da Madeira) e com perto de 130 pessoas migrantes e refugiadas participantes de nove nacionalidades (Síria, Iraque, Afeganistão, Bangladesh, Índia, Congo, Camarões, Marrocos) bem como 130 voluntários locais que as acompanham, o MEERU Aproxima define como mais significativa concretização a criação de histórias de pessoas que marcam a vida de outras e que têm uma relação de amizade umas com as outras.

“Temos vários voluntários que são padrinhos de batismo de várias crianças. Temos notícia de uma voluntária que esteve a acompanhar o parto de uma mãe de uma das nossas famílias. Temos histórias de os nossos voluntários serem determinantes na ajuda à integração no mercado de trabalho, entre outras histórias”, exemplifica Santos. “Também os encontros que vamos promovendo são autênticos espaços de contacto entre culturas diferentes. Temos, sempre, ao longo do ano alguns momentos em que juntamos a comunidade toda, entre os nossos voluntários e as famílias que acompanhamos. É sempre um grande evento, com uma mistura muito grande de nacionalidades, em que toda a gente tem ali um espaço de encontro, de diálogo, de divertimento, independentemente das barreiras e dos fossos entre diferentes nacionalidades”, conclui.

Já quanto ao financiamento que a associação se encontra a receber no âmbito do programa Democracia e Sociedade lançado pela Fundação Calouste Gulbenkian, o objetivo é prosseguir com o trabalho já desenvolvido e apoiar o desenvolvimento de vários programas que a MEERU tem em curso, como sejam o Aproxima, a Amal – Sabonetes com Impacto Social ou o Reconstruir.

A MEERU é uma organização não-governamental portuguesa fundada em 2019 por Isabel Martins da Silva e Pedro Amaro Santos que desenvolve um conjunto de iniciativas de apoio à integração das comunidades refugiadas, definindo como elemento central da sua identidade a preservação da dignidade humana de todas as pessoas.

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