AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Relatora especial da ONU Reem Alsalem Foto ONU News
A relatora especial Reem Alsalem denunciou os riscos da prática de barrigas de aluguer. Foto © ONU News

Debate na ONU

Barrigas de aluguer são prática de violência, exploração e abuso contra as mulheres

| 15/10/2025

Foi vivo o debate ocorrido na passada sexta-feira, 10 de outubro, na quarta sessão plenária do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Nova Iorque, em torno do relatório sobre a violência contra as mulheres e, particularmente, sobre a condenação das “barrigas de aluguer”, da autoria da relatora especial, a jordaniana Reem Alsalem.

Representantes de estados como Camarões, Etiópia, Itália, Nigéria, Egito e Santa Sé sublinharam aspetos positivos e imperativos das recomendações do relatório. Outros intervieram para solicitar esclarecimentos e colocar objeções, como foi o caso do Canadá, Austrália, África do Sul e Espanha. Uma das objeções centrou-se na questão da “autonomia do corpo” e da liberdade de escolha do que fazer com ele.

Na sua intervenção, em resposta às numerosas intervenções registadas no debate, a relatora especial disse que “atualmente, a maioria dos Estados não regulamenta a barriga de aluguer, ou fá-lo sem garantir o respeito pelos direitos humanos”.

“As regulamentações efetivamente não abordam a exploração e o abuso: temos dados que mostram que a procura está a aumentar, exacerbada por discrepâncias entre Estados e legislação fragmentada”, observou Reem Alsalem.

Um exemplo que esta especialista referiu, que vem também no Relatório divulgado em julho deste ano, é o do Reino Unido. Apesar de se tratar de um país em que o recurso às barrigas de aluguer é legal, muitos casais mudam-se temporariamente para outros países, como a Índia, encontram “uma legislação fraca, menos garantias e opções mais baratas”. “Quanto mais normalizarmos e legalizarmos a barriga de aluguer, mais aumentaremos a procura e o abuso”, alertou.

Reem Alsalem contestou também a noção de que a prática das barrigas de aluguer “reflete um direito emergente de criar novas famílias”. “Não existe um direito humano internacional de ter um filho como parte dos direitos reprodutivos. A distinção entre barriga de aluguer altruísta e comercial também é irrealista: o reembolso para a primeira é tão alto que constitui efetivamente um pagamento comercial, e não podemos falar de autonomia ou consentimento quando as mulheres acreditam que a barriga de aluguer constitui a sua única opção económica”.

Em termos gerais, a conclusão dos debates sobre esta problemática, que decorreu na Assembleia Geral das Nações unidas, foi clara: o caminho a seguir passa pela condenação inequívoca do que se tem designado por barriga de aluguer (ou sub-rogação), dada a “natureza intrinsecamente violenta e violadora dos direitos humanos de mulheres e crianças”. Além disso, “reforça as desigualdades sociais, explora a pobreza das mulheres e penaliza os recém-nascidos”, numa dinâmica que “corre o risco de reforçar estereótipos coloniais e discriminatórios”.

A relatora especial sublinhou também algo que já havia sublinhado no relatório que divulgou em julho: que as evidências disponíveis apontam para “sérios riscos para crianças nascidas por meio de barriga de aluguer, incluindo consequências negativas para a saúde física e mental e para o desenvolvimento, decorrentes da separação das suas mães, no nascimento”.

Outros riscos incluem, para as crianças, conflitos de identidade, aumento de casos de apátridas, tráfico e abandono, e a interrupção arbitrária e forçada das suas vidas no útero, a critério dos pais que as contratam. “Apesar dessas consequências prejudiciais, vários atores estatais e não estatais continuam cúmplices na facilitação da barriga de aluguer, inclusive minimizando os abusos e riscos que a acompanham, e sanando a prática, o que é extremamente preocupante”, afirmou Alsalem.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This