
“Além de sua participação naquele negócio imobiliário, os promotores do Vaticano dizem que o cardeal entregou 125.000 euros a uma empresa de caridade, propriedade do seu irmão na sua terra natal, a Sardenha.” Foto: Cardeal Angelo Becciu, © Vatican Media
O procurador-geral do Vaticano, Alessandro Diddi, pediu ontem, dia 26 de julho, sete anos e três meses de prisão e multas no valor de 14 milhões de euros para o cardeal Angelo Becciu, por peculato, abuso de poder e adulteração de testemunhas, tudo crimes relacionados com o negócio imobiliário que causou à Santa Sé perdas de 180 milhões de euros. Ao todo, o procurador pediu 73 anos e um mês de prisão cumulativos para os 10 arguidos. A sentença será lida até dezembro.
Becciu, que foi destituído de seus poderes como cardeal, mas não do seu título, pelo Papa Francisco em 2020, seria o primeiro cardeal a ser condenado à prisão por um tribunal do Vaticano. Becciu tem insistido firmemente, por meio de entrevistas, declarações e no próprio tribunal, que está inocente. “Em relação ao pedido do Ministério Público, um único dia de prisão já seria uma sentença injusta”, regiram os advogados do cardeal, Maria Concetta Marzo e Fabio Viglione, em comunicado divulgado no dia 26 de julho.
Aquele que é apelidado como “o julgamento do século” tem a ver com um investimento de 2014 num complexo de apartamentos em Londres, no qual a Secretaria de Estado dependia de empresários italianos para intermediar a compra do prédio em troca de altas taxas de juros [ver 7MARGENS]. Quando o acordo foi inicialmente assinado, Becciu era ‘substituto’ na Secretaria de Estado, ou seja, ocupava o terceiro cargo mais alto do Vaticano, logo depois do Papa e do Secretário de Estado.
Além de sua participação naquele negócio imobiliário, os promotores do Vaticano dizem que o cardeal entregou 125.000 euros a uma empresa de caridade, propriedade do seu irmão na sua terra natal, a Sardenha. Becciu também é acusado de pagar ilicitamente a Cecilia Marogna, consultora de diplomacia e segurança nacional, mais de meio milhão de euros, que Marogna usou para pagar jantares extravagantes, malas luxuosas e férias faustosas. Os promotores solicitaram que Morogna cumpra uma sentença de mais de quatro anos se for condenada.
De acordo com o Religion News Service, “os promotores descreveram o emaranhado de taxas e comissões pagas aos empresários, Raffaele Mincione e Gianluigi Torzi, e retiradas das contas do Vaticano” e “pediram penas de prisão de 11 anos e cinco meses para Mincione e sete anos e seis meses para Torzi, além de pesadas multas, por lavagem de dinheiro, corrupção e fraude”.
O tribunal continuará a ouvir as alegações finais até ao fim deste mês e os juízes têm até dezembro para se pronunciarem sobre a culpabilidade ou inocência dos arguidos. Resta recordar, segundo o Religion News Service que “o Estado do Vaticano tem uma pequena prisão, com apenas três celas, e ainda não está claro se as sentenças serão cumpridas em Itália, o Estado vizinho do Vaticano, caso os juízes decidirem a favor da acusação”.









