
D. Hélder Câmara. Foto © Antonisse, Marcel | Anefo.
O Dicastério das Causas dos Santos acaba de validar todos os atos e a documentação reunida e organizada na Arquidiocese de Olinda e Recife, no Brasil, relativa à vida de Hélder Câmara, que foi também bispo daquela diocese, e que se distinguiu na defesa dos direitos humanos, no tempo da ditadura no país.
A notícia de que tinha sido emitido em Roma o “decreto de validade jurídica” do processo foi dada na última terça-feira, 15 de novembro, pelo arcebispo de Olinda e Recife, Fernando Saburido, perante cerca de 20 mil fiéis que participavam no ato de encerramento do Congresso Eucarístico que teve lugar na cidade de Recife.
Trata-se do atestado de que a documentação que foi entregue no início de junho deste ano foi validada. Inicia-se agora uma outra fase que passa pela nomeação de um relator e a elaboração de um relatório a ser apreciado por comissões de historiadores, teólogos, bispos e cardeais, a fim de que deem os seus pareceres. Com a aprovação destas comissões, o Papa poderá declarar Hélder Câmara “venerável”, etapa prévia à eventual canonização.
Hélder Câmara nasceu na cidade de Fortaleza, em 1909, e faleceu em 1999, aos 90 anos. Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e esteve à frente da sua Arquidiocese de 1964 a 1985.
Além da denúncia das violações dos direitos humanos, destacou-se por assumir na sua ação pastoral a opção preferencial pelos pobres. Foi um participante ativo no Concílio Vaticano II, e um dos promotores do chamado Pacto das Catacumbas, grupo de bispos conciliares que se comprometeu a pôr os pobres no centro da pastoral, a adotar um estilo de vida simples e pobre e a pôr de lado os símbolos de poder.









