O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o bispo José Ornelas, disse este sábado em Fátima que a manifestação que decorreu esta tarde em Lisboa, sob o lema “Não nos encostem à parede”, é uma “acção bonita de dizer que ‘nós não nos resignamos’”.
Em declarações aos jornalistas no final do Encontro Sinodal nacional, o bispo Ornelas afirmou que não quer fazer política com os acontecimentos, o também bispo de Leiria-Fátima acrescentou, em breves declarações aos jornalistas no final do encontro que reuniu 300 pessoas das 20 dioceses portuguesas, que é preciso um “gesto de dizer que não podemos ficar simplesmente parados e que também a Igreja não pode ficar”.
O Encontro Sinodal foi organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa e reuniu 300 pessoas para debater a forma de aplicar na Igreja em Portugal as conclusões da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, sobre a sinodalidade, que decorreu em Outubro.
A sinodalidade “tem tudo a ver com o estrangeiro, o migrante, porque a Igreja tem por vocação ser migrante, migrante nas culturas, migrante na história, migrante no tempo e também nas ideias”, afirmou o bispo Ornelas.

Um cartaz empunhado por uma criança, durante a manifestação contra o racismo. Foto © José Centeio/7MARGENS.
Nem na Igreja nem na sociedade as pessoas se devem render à normalidade e à paciência, acrescentou ainda o bispo. E esta manifestação, e a indignação que ela traduz, significa também a defesa da “dignidade e significa projecto e a sede de um mundo melhor”, acrescentou o bispo.
A manifestação, que percorreu a Avenida Almirante Reis, entre a Alameda Dom Afonso Henriques e a Praça do Martim Moniz, foi convocada POR dezenas de organizações da sociedade civil, partidos políticos e associações de imigrantes. (ver 7MARGENS)
Milhares de pessoas, incluindo muitos migrantes, desfilaram durante a tarde de sábado, gritando palavras de ordem como “Nem menos nem mais, direitos iguais”, “Juntos na rua, não há terra minha e tua”, “Não ao racismo” e carregando faixas onde se podia ler “Contra o racismo e a xenofobia”.
A manifestação surgiu depois de uma operação policial na Rua do Benformoso, no bairro do Martim Moniz, em Lisboa, no dia 19 de Dezembro. Nessa acção da PSP, dezenas de pessoas, sobretudo imigrantes, foram encostadas à parede durante mais de uma hora, para serem revistadas. Dois cidadãos portugueses, segundo a PSP, acabaram detidos. Na sequência da acção policial, a Inspecção-Geral da Administração Interna abriu um inquérito à acção da polícia. Também a Provedoria de Justiça recebeu uma queixa subscrita por 700 pessoas, entre as quais deputados socialistas, do Bloco de Esquerda e do Livre.

Muitos imigrantes contra o racismo, pedindo “nem menos nem mais, diretos iguais”. Foto © Lucy Wainewright, cedida pela autora
Foto de destaque: Manifestação em Lisboa contra o racismo e a xenofobia. Foto © Lucy Wainewright, cedida pela autora
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