
Giorgia Meloni e o seu executivo na cerimónia de tomada de posse com o Presidente da República italiano, Sérgio Mattarella, a 22 outubro de 2022. Foto © Presidenza della Republica.
A tragédia da guerra em curso é o principal desafio que o Governo Meloni enfrenta e que só pode ser encarado “em plena harmonia com a Europa, na busca inevitável e urgente de um caminho certo que possa finalmente levar à paz”, escreve o cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), no comunicado em que felicita a primeira-ministra pela sua tomada de posse.
As boas-vindas protocolares do representante dos bispos italianos (citadas pelo Crux de dia 24 de outubro) colocam, assim, como ponto fundamental a colaboração com a União Europeia para enfrentar e superar os “grandes desafios” que a Itália enfrenta, colaboração a que o partido de extrema-direita nacionalista de Georgia Meloni sempre se tem afirmado contrário.
Mas este não é o único ponto em que os bispos italianos assinalam a sua divergência com a coligação de direita e eurocética agora no poder em Roma. A agenda dos referidos “grandes desafios” que a CEI elenca só em parte coincide com a do Governo. Combater o aumento da taxa de pobreza e o “inverno demográfico” italiano, cuidar dos idosos, acolher os imigrantes, criar empregos sobretudo para os jovens, reduzir as disparidades de desenvolvimento entre as regiões do Sul e as do Norte da Itália, dar passos para acelerar a “transição ecológica” e enfrentar a crise energética, são as prioridades elencadas pelo cardeal de Bolonha, Matteo Zuppi.
Na sua maioria, são difíceis de encontrar nas linhas programáticas de Governo apresentadas esta terça-feira, dia 25 de outubro, por Meloni ao Parlamento italiano. E naquelas que são coincidentes, as medidas e ações previstas pelo Executivo não são as que a Conferência Episcopal desejaria ver concretizadas.










