O bispo português Carlos Azevedo está a ser investigado pelo Vaticano, num processo que decorre num tribunal designado pelo Dicastério da Doutrina da Fé. O processo, que terá sido instaurado ainda durante o pontificado do Papa Francisco, terá como base um eventual ilícito penal.
A notícia foi dada pela RTP no Telejornal de segunda-feira, 2. Já nesta terça-feira, a Rádio Renascença (RR) acrescentou que o bispo parece estar sujeito para já a medidas disciplinares que incluem, entre outras restrições, a interdição de presidir a cerimónias religiosas públicas. O 7MARGENS tentou obter uma reacção da parte do visado, mas até ao fecho desta notícia isso não foi possível.
Numa declaração feita à RTP, depois repetida a diferentes meios de comunicação, acabou por ser o episcopado português a confirmar a informação de que haveria uma investigação a correr, embora nem sequer refira o nome do visado: “A Conferência Episcopal Portuguesa teve conhecimento da existência de um processo disciplinar relativo ao bispo em questão, cuja competência jurídica é exclusiva da Santa Sé, tendo em conta que o bispo em causa integra um organismo da Cúria Romana.”
A razão da investigação ainda não foi tornada pública porque, de acordo com uma fonte eclesiástica ouvida pela RR, ela “procura apurar a verdade e proteger todas as pessoas envolvidas”, o que justifica o sigilo. Também “é normal” que o bispo seja forçado a algumas restrições, “de forma a proteger as pessoas e as instituições.”
À agência Ecclesia, o gabinete de comunicação da CEP acrescentou que não se pronuncia “sobre casos concretos”, nomeadamente se “ainda estão em curso”. A CEP acrescenta ainda que “mantém a posição de não se pronunciar”, para “respeitar o segredo de justiça e os direitos de todos os envolvidos”.
Desde 2022, Carlos Azevedo é delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas, do Vaticano, depois de ter estado, desde 2011, no cargo de delegado do Conselho Pontifício para a Cultura.
Historiador de formação, Carlos Azevedo nasceu em Milheirós de Poiares, Santa Maria da Feira, a 4 de setembro de 1953. Estudou no seminário do Porto e doutorou-se em 1986, na Faculdade de História Eclesiástica da Universidade Gregoriana, em Roma.
Professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) desde 1987 e vice-reitor da instituição académica (2000-2004), dirigiu também o Dicionário e a História Religiosa de Portugal, obras editadas pelo Círculo de Leitores, tendo igualmente presidido à comissão científica para a publicação da Documentação Crítica de Fátima (1998-2008) e publicado várias obras de investigação histórica e historiográfica.
Nomeado no pontificado de João Paulo II como bispo auxiliar de Lisboa (Fevereiro de 2005), coordenou também a organização local da visita do Papa Bento XVI a Portugal (Maio de 2010).
Em 2010, o bispo Carlos Azevedo foi acusado de assédio sexual, através de uma queixa apresentada por um padre junto da Nunciatura Apostólica de Lisboa, acusação que o bispo negou. Mais tarde, e já depois da denúncia, numa celebração da Missa Crismal, o padre que denunciou ter-se-á dirigido ao bispo no momento do abraço da paz. No entanto, nunca houve qualquer declaração pública posterior da hierarquia católica sobre o desfecho deste caso.










