
Igreja destruída no Sudão. A comunidade católica está a ser profundamente afetada pelo conflito político-militar que se vive há meses. Foto: Direitos reservados.
“Tive de me mudar para Juba, capital do Sudão do Sul. Como muitos membros da Igreja, tivemos de deixar os lugares onde estávamos no Sudão porque se tornaram demasiado perigosos” - conta o padre Biong Kwol Deng da diocese sudanesa de El Obeid à agência Fides, citada pelo Religión Digital de 11 de agosto. A comunidade católica no Sudão, como todas as outras no país, está a ser profundamente afetada pelo conflito político-militar que se vive há meses.
“Neste momento, não há canto do país que não esteja afetado pelo conflito. Há combates a toda a hora, em todo o lado. Neste momento, para ser sincero, não há muita esperança”, afirma Deng, observando que o conflito continua a alastrar e que o governo não mostra qualquer intenção de o travar. Infelizmente, refere ainda Deng, “a nossa presença é agora muito mais pequena. As Missionárias da Caridade, as irmãs da Madre Teresa, que estavam na diocese de El Obeid, partiram no mês passado, tal como as Irmãs do Sagrado Coração e os Padres Combonianos. Todos eles se mudaram para Kosti, a sul de Cartum, e estão agora a caminho de Juba”.
No Sudão, explica o padre, “há dois grupos principais de cristãos: os do norte, de origem núbia, e os do Sudão do Sul, que permaneceram no Sudão mesmo depois da independência do Sudão do Sul em 2011. Ambos os grupos enfrentam grandes dificuldades, sobretudo devido à falta de ajuda externa. No entanto, é possível rezar e celebrar missa em locais seguros onde há padres. No entanto, os padres estão muitas vezes sozinhos e, quando estão dois juntos, têm de trabalhar em áreas muito vastas”.
Os EUA têm tentado mediar as conversações entre as forças sudanesas de Apoio Rápido (RSF) e as Forças Armadas do Sudão (SAF) que têm, contudo, registado poucos progressos. Segundo os observadores, o impasse deve-se em parte à tentativa de assassinato de Abdel Fattah al-Burhan, líder militar do Sudão, por um drone das RSF que matou cinco pessoas numa cerimónia de graduação militar a 31 de julho,.
Esta quarta-feira, 14 de agosto, as conversações de paz terão lugar em Genebra e serão patrocinadas pelos EUA. No entanto, após as conversações de paz em Jeddah, que terminaram sem acordo, a presença do Governo sudanês e das SAF ainda não está confirmada, adianta o portal de notícias do Vaticano.









