
A bandeira lgbt junto ao senado norte-americano. Foto © Standing for Freedom
O movimento OutInChurch decidiu tornar oública ao início da manhã desta segunda-feira, 27 de março, a carta que enviou ao Papa há seis meses, pedindo-lhe que promovesse a alteração dos números do Catecismo da Igreja Católica que condenam a homossexualidade, que rejeitasse as chamadas “terapias de conversão” e mobilizasse a Igreja para trabalhar ativamente em todo o mundo para acabar com a perseguição e a opressão das pessoas LGBTIQ+”. O movimento afirma não ter recebido qualquer resposta a essa missiva.
No comunicado enviado à redação do 7MARGENS, lê-se que “nos últimos meses houve marcos importantes na luta pelo reconhecimento das pessoas queer por parte da Igreja Católica”, entre os quais “a modificação da legislação laboral católica e as recentes decisões do Caminho Sinodal Alemão sobre as cerimónias de bênção para casais de pessoas do mesmo sexo” e o apelo do Papa para que todos os católicos denunciem “a injusta criminalização da homossexualidade pela lei de qualquer Estado”. Mas, continua o comunicado, “apesar de toda a alegria pelo que já foi alcançado, é preciso sublinhar que esses avanços tornaram ainda mais urgente a necessária reforma da doutrina católica”, pois estas mudanças “só serão credíveis” quando aplicadas também às “leis e regulamentos da Igreja”.
O texto conclui que “tudo isto vem reforçar o apelo feito ao Papa, o único que pode acabar com a discriminação e a psicocriminalização das pessoas queer” e pôr termo “ao ensino da Igreja que continua a qualificar a vida homossexual como um pecado grave e a negar a identidade de pessoas trans”.
O movimento OutInChurch é uma iniciativa resultante de um manifesto publicado em janeiro de 2022 [ver 7MARGENS] e que atualmente reúne mais de 500 pessoas LGBTIQ+ trabalhadores a tempo inteiro ou voluntários em part-time na Igreja Católica na Alemanha. Na carta a Francisco de setembro passado escreviam: “Já não queremos que falem de nós, recusando falar connosco. Não queremos mais esconder os nossos sentimentos, os nossos amores, a nossa vida e a nossa fé; queremos falar deles e delas a todas as pessoas. Muitos de nós temos sido acometidos por pensamentos suicidas por sermos gays. Muitos de nós sentimo-nos rejeitados pela Igreja e na Igreja porque Ela ainda ensina que a homossexualidade e a transexualidade são contranatura”.









