Mais de 1.600 “novos mártires” foram reconhecidos pela comissão instituída em 2023 pelo Papa Francisco no Dicastério das Causas dos Santos. E Leão XIV vai presidir no próximo domingo, 14 de setembro, em Roma, a uma celebração ecuménica que irá evocá-los.
Os números destes “cristãos que continuam a morrer porque são testemunhas do Evangelho” foram revelados esta semana pela Comissão dos Movos Mártires – testemunhas da Fé: e referem-se aos últimos 25 anos: do total de 1.624 mártires, 304 são provenientes das Américas, 43 são europeus e outros 110 morreram durante as missões pelo mundo, 277 foram mortos no Médio Oriente e no Magrebe, 357 na Ásia e na Oceania e 643 em África, a terra “onde os cristãos mais morrem”, detalhou Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e vice-presidente da Comissão composta por onze membros.
As histórias de cada um deles foram partilhadas a partir de todas as latitudes, por diversas Igrejas e denominações cristãs, dioceses, Conferências Episcopais, institutos religiosos e outras entidades eclesiais. São vidas que testemunham a perseguição religiosa, a violência de organizações criminosas, a exploração de recursos naturais, ataques terroristas, conflitos étnicos e outras causas pelas quais os cristãos continuam a ser mortos, em pleno século XXI.
“Infelizmente, os cristãos continuam a morrer”, lamentou Riccardi, “e continuam a morrer porque são apaixonados por Deus, pelos irmãos e irmãs, porque são autênticos servos da humanidade, porque são livres comunicadores da fé”. “Muitas vezes, a própria presença de um cristão como uma pessoa honesta, cumpridora da lei e dedicada ao bem comum, incomoda quem procura promover agendas criminosas”, sublinhou.
A sua memória será recordada na “única celebração ecuménica em Roma durante todo o Ano Jubilar”, que se realizará na festa da Exaltação da Santa Cruz e que coincide com o 70º aniversário do Papa Leão XIV, assinalou por seu lado o bispo Fabio Fabene, secretário do Dicastério das Causas dos Santos e presidente da Comissão.
Nela, estarão presentes 24 delegados de Igrejas e comunidades cristãs. “A vitalidade do Batismo une-nos a todos”, comentou o prelado. “Nos cristãos que deram as suas vidas, o ecumenismo do sangue, como São João Paulo II gostava de defini-lo, realiza-se. É justamente no martírio que a Igreja já está unida”. E o Papa Leão “espera que o sangue desses mártires seja semente de paz e reconciliação, fraternidade e amor, como escreveu por ocasião do recente atentado terrorista no Congo”, acrescentou Fabene.
Entre estes “novos mártires”, incluem-se a irmã Leonella Sgorbati, das Missionárias da Consolata, morta a tiro numa rua de Mogadíscio, a capital da Somália, em 2006, quando regressava do hospital pediátrico onde trabalhava como enfermeira. E também o grupo de cristãos evangélicos – incluindo vários menores – mortos por terroristas no Burkina Faso em 2019, enquanto participavam na missa dominical.
A celebração terá lugar pelas 16 horas (hora de Lisboa), na Basílica de São Paulo Fora de Muros, em Roma.










