Porque nem os “sermões, declarações e manifestações”, nem tampouco as orações, são “suficientes para deter a barbárie” cometida sobre o povo de Gaza, um grupo que se intitula de Comunidades Cristãs de Espanha escreveu uma carta aberta ao Papa Leão em que lhe implora: “visite a Palestina, em nome de toda a Igreja e da humanidade (…) Ações concretas e proféticas são necessárias. Este gesto seria um Evangelho vivo”.
“Muitos católicos em Espanha e no mundo se perguntam: o que é que o Papa diz e faz? O que faria Jesus Cristo, que disse: ‘Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, estive sem teto e me acolhestes, estive doente e me visitastes…? ‘”, refere a missiva, publicada esta segunda-feira, 1 de setembro, pelo jornal Religión Digital. E logo a seguir os seus autores insistem, dirigindo-se diretamente a Leão XIV: “Escrevemos para implorar que faça um gesto corajoso, profético e profundamente evangélico”.
Assegurando que aderiram aos “dias de oração que o Papa convocou pela paz”, participando em “jejuns e vigílias”, os autores da carta defendem no entanto que “não basta rezar, fazem falta também ações que, com a força do Espírito de Deus, possam deter a morte e abrir o caminho à vida”.
A missiva recorda que vários crentes e não crentes de diferentes partes do mundo se arriscaram a ir até Rafah para levar ajuda, mas as autoridades do Egito não permitiram a sua passagem. “Por isso, ousamos implorar-lhe, em nome do Deus da vida e da misericórdia, que peça e exija que o Governo israelita cesse os bombardeamentos, permita a entrada de camiões com alimentos e medicamentos, opte pelo diálogo com o Hamas para libertar os reféns e ponha fim à sabotagem dos colonos israelitas na Cisjordânia. A Terra Santa, a Terra de Cristo, aguarda de si, Santo Padre, uma ação corajosa e profética”, escrevem, pedindo ainda a Leão XIV que “convoque todos os governos e cidadãos do mundo a formarem uma frente unida pela paz”.
“Não somos antissemitas. Somos simplesmente defensores dos direitos humanos , que são direitos divinos, pois os seres humanos são a imagem viva de Deus”, justificam os autores da carta.
“No meio da dor e das lágrimas, os habitantes de Gaza clamam desesperadamente pela nossa ajuda. Onde é que nós, seguidores de Jesus Cristo, devemos colocar-nos?”, perguntam ainda, para logo a seguir concluírem: “Hoje, o que está em jogo não é apenas Gaza. É a nossa própria humanidade. Não podemos permanecer em silêncio. Se permanecermos em silêncio, a morte vencerá”.
Também a cantora norte-americana Madonna fez recentemente um apelo semelhante ao Papa Leão XIV. “Santo Padre, por favor. Vá a Gaza e leve a sua luz às crianças antes que seja tarde demais. Como mãe, não posso suportar a dor delas. Os filhos do mundo pertencem a todos. Você é o único entre nós a quem não pode ser negada a entrada”, escreveu a artista na sua conta de X, a 11 de agosto. “Não há mais tempo. Por favor diga que irá”, insistiu, explicando que se dirigia a um “Homem de Deus” porque os “políticos não podem fazer a mudança”.
Não houve, até ao momento, uma reação pública do Vaticano a estes apelos.



![Apelo de Metz [texto integral] O Papa no encontro no Centro de Congressos Robert Schuman, em Metz. Foto Vatican Media](https://setemargens.com/wp-content/uploads/2026/09/O-Papa-no-encontro-no-Centro-de-Congressos-Robert-Schuman-em-Metz.-Foto-Vatican-Media-480x252.jpg)






