
Durante algum tempo os residentes continuaram a ser “autorizados a praticar a sua fé, embora sem a utilização de instrumentos musicais durante o culto, numa clara restrição da sua liberdade religiosa”. Foto © ACN
Os católicos e protestantes residentes em Douna-Pen, a maior aldeia cristã da região de Mopti, no Mali, estão a ser forçados a pagar um imposto para poderem continuar a praticar a sua religião livremente. Caso se recusem a pagar, os locais de culto que frequentam serão encerrados, ameaçou um grupo extremista islâmico ativo na região.
A denúncia é feita esta sexta-feira, 15 de novembro, pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), cujas fontes no país pediram anonimato por razões de segurança. De acordo com as mesmas, o grupo “impôs recentemente um imposto de 25 mil francos CFA (cerca de 36 euros) a todos os cristãos com mais de 18 anos”.
Os extremistas islâmicos já tinham exigido anteriormente o encerramento das igrejas protestantes e católicas em Douna-Pen, mas durante algum tempo os residentes continuaram a ser “autorizados a praticar a sua fé, embora sem a utilização de instrumentos musicais durante o culto, numa clara restrição da sua liberdade religiosa”, explica a Fundação AIS.
A exigência do pagamento da chamada jizya, um imposto religioso, começou numa outra aldeia próxima, Dougouténé. Chegou agora a Douna-Pen e os habitantes locais receiam que esta prática possa estender-se a outras aldeias, ameaçando ainda mais a liberdade religiosa e a segurança.
“Receia-se que estes pagamentos forçados possam conduzir a divisões profundas entre a população, minando a confiança no governo e prejudicando ainda mais a frágil estabilidade da região. Muitos habitantes têm medo de ser abandonados pelo Estado maliano”, adianta a Fundação AIS.
Um dos habitantes locais ouvidos pela organização católica pede “uma ação imediata para evitar que um conflito religioso tome conta deste país”. “É suposto vivermos num Estado laico, onde tais práticas não deveriam ter lugar, mas infelizmente isto está a tornar-se na nossa nova realidade. Se as autoridades não agirem, a população pagará impostos diretamente para os cofres dos terroristas, que agem sob a bandeira do jihadismo na República do Mali”, afirma.
E conclui: “Sabemos que o país é grande e que o mesmo se passa noutros locais, mas se não fizermos alguma coisa neste domínio em breve, as consequências serão desastrosas”.









