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Pomba da paz, Belém, Cisjordânia
A pomba da paz com colete à prova de bala, pintada do lado palestiniano do Muro de separação Israel-Palestina, em Belém. Foto: Direitos reservados

Comissão Justiça e Paz de Braga

“Deem uma oportunidade à paz”

| 30/03/2025

“A educação tem um papel incontornável na promoção de uma cultura de paz, fazendo com que os mais novos percebam que os conflitos se podem resolver sem ser pela violência”. A afirmação é da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga (CJPAB), num texto enviado este fim de semana ao 7MARGENS.

O texto recorda a Pacem in Terris, do Papa João XXIII, que coloca a paz como “uma das mais partilhadas aspirações da humanidade”, sublinhando que “são constantes as notícias de guerras cujo termo não se vislumbra”. Por outro lado, alerta para “o desinteresse e a dessensibilização da opinião pública” suscitados frequentemente pela “regularidade das notícias sobre certos conflitos”. “Mas a indiferença não deve prevalecer”, exorta aquela Comissão, recorrendo ao tema de uma conhecida canção de John Lennon, do final dos anos 60 – Give peace a chance (Deem uma oportunidade à paz), que “tantos, tantas vezes, cantaram”.

Porém, lembra a CJPAB, “a paz não é apenas a ausência de guerra. Ela impõe a construção de sociedades que respeitem os direitos humanos, fomentem a solidariedade e promovam o bem comum”.

Convoca a Doutrina Social da Igreja para enfatizar que a paz supõe a justiça social e, como enuncia a encíclica Pacem in Terris, “deve ser fruto de ações concretas, que incluem o diálogo entre os povos, a reconciliação das diferenças e a construção de um mundo mais justo”.

Sobre o papel da educação na promoção de uma cultura de paz, a Comissão acentua ser necessário que os mais jovens “sejam sensíveis e perfilhem os valores da compaixão, do respeito mútuo e da justiça”. E lembra a Fratelli Tutti (2020), e a fraternidade e a amizade social como caminhos para a paz, que essa encíclica preconiza, deplorando, ao mesmo tempo, “o individualismo e a indiferença diante do sofrimento dos outros”.

Recordando tomadas de posição do Papa Francisco, incluindo o que disse durante o recente internamento no Hospital Gemelli (“Daqui a guerra parece ainda mais absurda”), o texto reitera que “a paz deve sempre ser o horizonte e, enquanto em algum lugar houver guerra, não será demais repeti-lo”.

“Aos horrores das guerras, somam-se os obstáculos criados às Organizações Não-Governamentais que cuidam das vítimas”, denuncia a CJPAB, quando, como cada vez mais acontece, “muitos deslocados internos vivem em campos onde não se encontram condições mínimas quanto à distribuição de alimentos e água, ao saneamento e higiene, ao abrigo e proteção”.

O texto cita dados da ACNUR, agência da ONU para os refugiados, a qual, em 2024, contabilizou 122,6 milhões de deslocados forçados em todo o mundo, como resultado de perseguição, conflito, violência, violações de direitos humanos ou eventos que perturbem gravemente a ordem pública. Esta contabilidade inclui refugiados, que não têm, frequentemente, um acolhimento condigno nos países para onde são forçados a fugir.

A Comissão Justiça e Paz alerta que “as vítimas das guerras, designadamente as mais frágeis de entre elas, nunca podem ser olhadas com indiferença”. Importa lembrá-lo – acrescenta –  quando está prestes a assinalar-se o aniversário da morte de Aristides de Sousa Mendes, o que sucederá no dia 3 de Abril. O Dia Internacional da Consciência, que se comemora no dia 5 de Abril, por iniciativa das Nações Unidas, também oferece um pretexto para subscrever os propósitos da ONU de que se construa uma cultura de paz, para o que é requerida “uma acção educacional, cultural, social e cívica abrangente, na qual cada pessoa tem algo a aprender, a dar e a compartilhar”.

O texto cita a ONU para sublinhar que a paz “não é apenas a ausência de diferenças e conflitos”, mas “um processo positivo, dinâmico e participativo ligado intrinsecamente à democracia, justiça e desenvolvimento para todos”.

Este processo, conclui a Comissão, “incentiva a que as diferenças sejam respeitadas, o diálogo seja encorajado e os conflitos sejam constantemente transformados por meios não violentos em novas vias de cooperação”. Na mesma linha, “a paz pede uma valorização da diplomacia, das organizações internacionais facilitadoras do diálogo e dos sistemas de governo promotores da harmonização das diferenças” e contará também com a “ajuda inestimável no trabalho pela paz” que dará uma educação de qualidade.

 

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