“A educação tem um papel incontornável na promoção de uma cultura de paz, fazendo com que os mais novos percebam que os conflitos se podem resolver sem ser pela violência”. A afirmação é da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga (CJPAB), num texto enviado este fim de semana ao 7MARGENS.
O texto recorda a Pacem in Terris, do Papa João XXIII, que coloca a paz como “uma das mais partilhadas aspirações da humanidade”, sublinhando que “são constantes as notícias de guerras cujo termo não se vislumbra”. Por outro lado, alerta para “o desinteresse e a dessensibilização da opinião pública” suscitados frequentemente pela “regularidade das notícias sobre certos conflitos”. “Mas a indiferença não deve prevalecer”, exorta aquela Comissão, recorrendo ao tema de uma conhecida canção de John Lennon, do final dos anos 60 – Give peace a chance (Deem uma oportunidade à paz), que “tantos, tantas vezes, cantaram”.
Porém, lembra a CJPAB, “a paz não é apenas a ausência de guerra. Ela impõe a construção de sociedades que respeitem os direitos humanos, fomentem a solidariedade e promovam o bem comum”.
Convoca a Doutrina Social da Igreja para enfatizar que a paz supõe a justiça social e, como enuncia a encíclica Pacem in Terris, “deve ser fruto de ações concretas, que incluem o diálogo entre os povos, a reconciliação das diferenças e a construção de um mundo mais justo”.
Sobre o papel da educação na promoção de uma cultura de paz, a Comissão acentua ser necessário que os mais jovens “sejam sensíveis e perfilhem os valores da compaixão, do respeito mútuo e da justiça”. E lembra a Fratelli Tutti (2020), e a fraternidade e a amizade social como caminhos para a paz, que essa encíclica preconiza, deplorando, ao mesmo tempo, “o individualismo e a indiferença diante do sofrimento dos outros”.
Recordando tomadas de posição do Papa Francisco, incluindo o que disse durante o recente internamento no Hospital Gemelli (“Daqui a guerra parece ainda mais absurda”), o texto reitera que “a paz deve sempre ser o horizonte e, enquanto em algum lugar houver guerra, não será demais repeti-lo”.
“Aos horrores das guerras, somam-se os obstáculos criados às Organizações Não-Governamentais que cuidam das vítimas”, denuncia a CJPAB, quando, como cada vez mais acontece, “muitos deslocados internos vivem em campos onde não se encontram condições mínimas quanto à distribuição de alimentos e água, ao saneamento e higiene, ao abrigo e proteção”.
O texto cita dados da ACNUR, agência da ONU para os refugiados, a qual, em 2024, contabilizou 122,6 milhões de deslocados forçados em todo o mundo, como resultado de perseguição, conflito, violência, violações de direitos humanos ou eventos que perturbem gravemente a ordem pública. Esta contabilidade inclui refugiados, que não têm, frequentemente, um acolhimento condigno nos países para onde são forçados a fugir.
A Comissão Justiça e Paz alerta que “as vítimas das guerras, designadamente as mais frágeis de entre elas, nunca podem ser olhadas com indiferença”. Importa lembrá-lo – acrescenta – quando está prestes a assinalar-se o aniversário da morte de Aristides de Sousa Mendes, o que sucederá no dia 3 de Abril. O Dia Internacional da Consciência, que se comemora no dia 5 de Abril, por iniciativa das Nações Unidas, também oferece um pretexto para subscrever os propósitos da ONU de que se construa uma cultura de paz, para o que é requerida “uma acção educacional, cultural, social e cívica abrangente, na qual cada pessoa tem algo a aprender, a dar e a compartilhar”.
O texto cita a ONU para sublinhar que a paz “não é apenas a ausência de diferenças e conflitos”, mas “um processo positivo, dinâmico e participativo ligado intrinsecamente à democracia, justiça e desenvolvimento para todos”.
Este processo, conclui a Comissão, “incentiva a que as diferenças sejam respeitadas, o diálogo seja encorajado e os conflitos sejam constantemente transformados por meios não violentos em novas vias de cooperação”. Na mesma linha, “a paz pede uma valorização da diplomacia, das organizações internacionais facilitadoras do diálogo e dos sistemas de governo promotores da harmonização das diferenças” e contará também com a “ajuda inestimável no trabalho pela paz” que dará uma educação de qualidade.
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