
Juan Antonio Guerrero Alves sublinhou que o orçamento de 2022 consolidará as contas de 90 entidades dependentes do Vaticano, caminhando para “a honestidade e a transparência nas questões financeiras”. Foto © Vatican News / Society of Jesus.
O orçamento do Vaticano para o corrente ano prevê um défice de 37,1 milhões de euros, revelou o padre Juan Antonio Guerrero Alves, prefeito da Secretaria de Economia, em entrevista publicada no Vatican News nesta sexta-feira, 28 de janeiro.
Guerrero sublinhou que o orçamento de 2022 consolidará as contas de 90 entidades dependentes do Vaticano e não apenas as 60 anteriores, caminhando, assim, para “a honestidade e a transparência nas questões financeiras”.
O alargamento do perímetro de consolidação orçamental permite tornar pública uma visão mais próxima da realidade composta por todas as instituições dependentes da Santa Sé. No orçamento para 2022, “foram incluídas as entidades que, embora não sejam propriamente dicastérios ou a Cúria Romana, são propriedade da Santa Sé ou dependem e estão sob a sua responsabilidade financeira”, referiu Guerrero, explicando por que razão a despesa orçamental passa dos 300 milhões de euros em 2021 para um pouco mais de 800 milhões este ano. Quando forem incorporadas mais três instituições que por razões técnicas ainda ficaram “de fora” em 2022, a despesa atingirá os mil milhões de dólares.
Óbolo de São Pedro: seis anos a cair
Estas alterações visam garantir “mais visibilidade, mais transparência e mais controlo” sobre as contas do Vaticano, que vêm acumulando défices nos últimos anos. É por isso que, tendo apenas em consideração as 60 entidades (aquelas que segundo Guerrero compõem a Cúria), “as despesas previstas para este ano atingem um novo mínimo histórico, ficando pelos 289 milhões de euros em comparação com os 293 milhões do ano passado: uma redução de quatros milhões de euros”.
Uma das receitas que mais tem caído nos últimos anos tem sido o “óbolo de São Pedro” – a recolha de fundos que tem lugar em todo o mundo a 29 de junho de cada ano e que se destina a financiar o apoio concedido pelo Papa a ações de caridade, mas também a financiar as estruturas do Vaticano e as nunciaturas.
“Se em 2020 o total do óbolo de São Pedro arrecadado foi de 44 milhões de euros, em 2021 não deve ultrapassar os 37 milhões”, disse Guerrero. Esta redução seguiu-se a “uma queda de 23% entre 2015 e 2019”, voltando a reduzir-se em “18% em 2020, o primeiro ano da pandemia”.










