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o debate em 20 grupos sinodais, seguindo o método da conversação no Espírito, no II Encontro Sinodal Nacional. Foto EcclesiaJPG
Debate em grupos, seguindo o método da conversação no Espírito, no II Encontro Sinodal Nacional. Foto © EcclesiaJPG

Dioceses e paróquias têm até ao fim de 2026 para traduzir sinodalidade na prática

| 13/01/2026

“A sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja” é o tema da primeira publicação que a Comissão Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) vai distribuir, no final deste mês de janeiro. Com uma periodicidade mensal, outras se seguirão até ao final do ano, cada qual dedicada a uma questão central do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade.

A iniciativa, anunciada no final do II Encontro Sinodal Nacional, realizado em Fátima no último sábado, propõe-se “clarificar os fundamentos teológicos e eclesiológicos da sinodalidade, enfrentando de forma construtiva as resistências e tensões internas que este caminho pode suscitar”.

Com as publicações, inspiradas em iniciativa análoga do Conselho Episcopal da América Latina e Caribe, vai-se procurar também “promover uma cultura de escuta, participação e discernimento comunitário”.

Os trabalhos do II Encontro permitiram uma partilha de experiências de cada diocese e dos institutos religiosos e de vida consagrada que apontam, segundo a síntese entretanto publicada, para um “acolhimento progressivo da sinodalidade”.

Esse acolhimento concretiza-se na valorização dos conselhos pastorais paroquiais e diocesanos enquanto “espaços de corresponsabilidade e discernimento”; uso crescente do método da conversação no Espírito; processos de reorganização pastoral e criação de unidades ou redes sinodais; investimento na formação do clero e dos leigos; “maior envolvimento dos fiéis leigos e dos ministérios laicais”; práticas de “escuta alargada para o discernimento pastoral”.

A síntese final destaca, nas experiências vividas no terreno, o crescimento da corresponsabilidade e aproximação de pessoas anteriormente afastadas da Igreja, entre outros pontos. Ao mesmo tempo regista, como dificuldades, as resistências clericais; a fragilidade da decisão partilhada; défices formativos; cansaço pastoral; limitações estruturais; e ritmos diferenciados das comunidades.

No encontro, além da intervenção de abertura do presidente da CEP, o bispo José Ornelas, houve uma comunicação de fundo do bispo de Coimbra e vice-presidente da Conferência, Virgílio Antunes, sobre “a espiritualidade sinodal”.

Os bispos presentes, os representantes das comissões sinodais e de órgãos participativos diocesanos, num total de mais de centena e meia de participantes, organizaram-se em 20 pequenos grupos para refletir sobre as implicações e transformações pastorais decorrentes do processo sinodal.

Desse tempo de partilha saíram pontos recorrentes, que valorizaram “uma Igreja que vive da escuta espiritual, humana e comunitária”, com os seus espaços e tempos próprios; recusa de uma Igreja tipo “alfândega”, e opção por uma Igreja que vai ao encontro e que acolhe de forma incondicional, especialmente os mais frágeis, feridos ou afastados; uma Igreja que dá importância às estruturas de participação, de partilha de responsabilidades e que valoriza “o sacerdócio comum numa lógica de comunhão e serviço”; uma Igreja que, “consciente da importância das redes sociais e dos meios digitais para a evangelização e a comunhão, tem especial atenção ao protagonismo dos jovens”.

Os ritmos do processo sinodal passam a estar condicionados pelo calendário do processo sinodal da Igreja global. Daí que até ao final de 2026 continuará a fase de implementação do processo sinodal no plano de cada diocese; em 2027, realizam-se as assembleias de avaliação a nível diocesano e nacional, estando igualmente previsto o III Encontro Sinodal Nacional no segundo semestre; finalmente, o ano de 2028 conhecerá a fase de avaliação de âmbito continental e, em outubro desse ano, a Assembleia Eclesial, no Vaticano.

 

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