
‘Rui Valério recordou que “a luz brilhou nas trevas”, para nos levar a perscrutar “os inóspitos panoramas humanos e existenciais, porque é aí, nos estábulos da exclusão, nas manjedouras da marginalização e nas periferias da noite que o Filho de Deus nasce”.’ Foto: Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. © Ricardo Perna
Depois de reconhecer que “chegamos a este Natal com a amarga sensação de que o projeto de civilização inaugurado pelo próprio nascimento de Jesus Cristo está a regredir”, o Patriarca de Lisboa, Rui Valério, afirmou hoje, dia 24 de dezembro, na sua primeira mensagem de Natal, lida, como é costume, diante das câmaras da RTP, que “é nos escombros de projetos fracassados, nas ruínas de sonhos desvanecidos que Jesus Cristo nasce incessantemente” e “irrompe para inaugurar caminhos de esperança e de vida”.
O Patriarca enunciou alguns dos “sintomas” daquela regressão, referindo “as guerras na Ucrânia, no Médio-Oriente, ou na República Centro Africana; a crise ecológica mundial; a tragédia do não-acolhimento dos migrantes” e, no plano nacional, “o aumento da pobreza, do número de famílias que têm cada vez mais dificuldade em fazer face às necessidades básicas”, não lhe sendo oferecidos “os devidos cuidados de saúde e de habitação”, ou “uma educação condigna, onde haja professores e condições para ensinar e aprender”.
Mas, perante estas dificuldades e injustiças, Rui Valério recordou que “a luz brilhou nas trevas”, para nos levar a perscrutar “os inóspitos panoramas humanos e existenciais, porque é aí, nos estábulos da exclusão, nas manjedouras da marginalização e nas periferias da noite que o Filho de Deus nasce”. E nasce para favorecer “o encontro com todos, todos, todos”, para gerar “a proximidade que faz brilhar a luz do amor que dissipa as trevas do ódio” e para “nos mobilizar para a cultura da paz, da bondade e da concórdia”.
No final da sua mensagem, o Patriarca voltou a insistir no significado do Natal que “convoca o melhor do ser humano” e nos “sintoniza com o que de mais belo ele é capaz: é capaz do conhecimento sublime de Deus como Pai, e de cada um se ver como irmão e irmã”; capaz de “compaixão por quem sofre e se sente derrotado da vida”; capaz de “abraçar a causa do ser humano, pela sua liberdade, pela paz no mundo”.




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