
Bebés resgatados do hospital Al Shifa, no norte de Gaza, são tratados num hospital em Rafah, no sul da Faixa. Foto © Unicef/Eyad El Baba
Os desafios das mulheres grávidas, em Gaza, são “inimagináveis”, os quase 20 mil bebés que ali nasceram depois de dia 7 de outubro tinham à sua espera “um inferno”, e muitos deles não sobreviverão, alertou o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) esta sexta-feira, 19 de janeiro.
A funcionar com cada vez menos recursos, os hospitais têm realizado partos por cesariana sem anestesia. No Hospital dos Emirados, em Rafah, a equipa está tão sobrecarregada que se viu obrigada a dar alta às mães apenas três horas depois do parto, revela Tess Ingram, especialista de comunicação da instituição, que esteve nos últimos dias no sul de Gaza.
Ver bebés recém-nascidos a sofrer, enquanto algumas mães sangram até à morte, deveria “tirar o sono de todos”, defende Tess Ingram, assim como “saber que duas crianças israelitas raptadas a 7 de outubro ainda não foram libertadas” também deve ser motivo de inquietação, acrescenta.
A representante da agência afirmou que aproximadamente 135 mil crianças com menos de dois anos de idade correm atualmente o risco de desnutrição grave, devido às condições “desumanas” dos abrigos improvisados onde vivem, à má nutrição e ao consumo de água imprópria.
Para ajudar as mulheres e crianças mais vulneráveis em Gaza, a Unicef garantiu a entrega de fórmulas lácteas e suplementos às mães que estão fracas demais para amamentar, juntamente com algum material médico destinado às equipas de saúde sobrecarregadas.
Mas as missões de ajuda continuam “fortemente comprometidas pelas restrições israelitas à importação de equipamentos essenciais”, lamenta o chefe do Escritório de Direitos Humanos no Território Palestiniano Ocupado, Ajith Sunghay, que também visitou Gaza. Para o especialista, estamos perante uma enorme crise de direitos humanos e “um grande desastre humanitário causado pelo homem”.









