
Enzo Bianchi, em Trento, a 12 de Dezembro de 2013. Foto Niccolò Caranti/Wikimedia Commons
Enzo Bianchi, fundador e ex-presidente da Comunidade de Bose (Norte de Itália), tem até ao próximo dia 18 para abandonar definitivamente o mosteiro que fundou e no qual continuou a viver depois de a saída lhe ter sido imposta, apesar do acordo que tinha assinado em meados do ano passado com o Vaticano, como na altura foi noticiado pelo 7MARGENS.
A notícia, dada pela revista espanhola Vida Nueva refere que este ultimato de dez dias, assinado no passado dia 8 por um delegado pontifício, traz, por assim dizer, uma contrapartida: a Comunidade de Bose é obrigada a ceder gratuitamente, a Enzo Bianchi e a um grupo de irmãos que pretendem acompanhá-lo, o mosteiro que a comunidade tem em Cellole, junto à cidade histórica de San Gimignano (a meio caminho entre Siena e Florença).
Esses irmãos passam a ser membros da comunidade extra domum (literalmente, “fora de casa”) e Bose deixará de ter qualquer vínculo com Cellole. Esta, por sua vez, deixará de ser uma fraternidade monástica e não poderá adotar qualquer designação que indicie relações com Bose, “para evitar confusões e ambiguidades”, segundo a ordem recebida.
A ordem de abandonar Bose em dez dias já tinha sido dada em maio passado pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, na sequência das conclusões da visita apostólica que decorrera entre 26 de dezembro de 2019 e 6 de janeiro de 2020.
Um comunicado da Comunidade, entretanto divulgado, dá a sua leitura do que se passou. Bianchi recusava-se a ir para outro mosteiro e alegava, por outro lado, impossibilidade de encontrar outro local adequado. Perante isto, “a Comunidade concordou com a sugestão do Delegado pontifício de renunciar à própria Fraternidade de Cellole, chamando de volta para Bose ou para outras fraternidades os irmãos até hoje presentes em Cellole e cedendo em comodato de uso aqueles imóveis, de forma que o ir. Enzo possa transferir-se para lá antes do início da Quaresma, acompanhado de alguns membros professos (…) na condição canónica de extra domum.
O encerramento da Fraternidade em Cellole di San Gimignano, criada há apenas cerca de oito anos, foi “uma decisão difícil e cheia de sofrimento, mas infelizmente inevitável e não mais procrastinável”, diz o comunicado. Foi também um “ato de confiante obediência à Igreja”, também em gesto de “gratidão ao Papa Francisco pela solicitude paternal com a qual quis intervir para sarar as feridas de um momento crítico de nossa vida comum”.

Cellole di San Gimignano, novo mosteiro de Enzo Bianchi, depois da ruptura com Bose. Foto do Google Maps.








