A Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinianos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel acusa, num relatório divulgado nesta terça-feira, dia 10 de junho, o Estado de Israel de cometer o crime de “extermínio” contra a humanidade ao matar civis que se abrigavam em escolas e locais religiosos em Gaza, com o objetivo deliberado de “destruir a vida dos palestinianos em Gaza”.
“As forças israelitas cometeram crimes de guerra, incluindo ataques diretos contra civis e assassinatos intencionais, nos seus ataques a instalações educativas. (…) Ao matarem civis que se abrigavam em escolas e locais religiosos, as forças de segurança israelitas [o exército] cometeram o crime de extermínio contra a humanidade” – lê-se no documento.
A comissão de inquérito concluiu que Israel destruiu mais de 90 por cento dos edifícios escolares e universitários e mais de metade de todos os locais religiosos e culturais de Gaza. A presidente da comissão, a sul-africana Navi Pillay, sublinhou que “o facto de Israel visar a vida educativa, cultural e religiosa do povo palestiniano prejudicará as gerações atuais e futuras, ao comprometer o seu direito à autodeterminação”.
A comissão apresentará este relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, a 17 de junho. Já em 2024, a comissão considerou que os ataques contra o pessoal médico em Gaza configuravam “crime de guerra e crime de extermínio contra a humanidade” e que os ataques “sistemáticos” à saúde reprodutiva são “atos genocidas”.
No seu relatório mais recente, a comissão volta a acusar grupos armados palestinianos de crimes de guerra e solicita “às autoridades de facto em Gaza que deixem de utilizar bens civis para fins militares” e indica ter registado “um caso em que a ala militar do Hamas utilizou uma escola para fins militares”.
Entretanto a Imprensa britânica divulgou neste mesmo dia 10 de junho que o Governo vai congelar os bens e proibir a entrada no Reino Unido ao ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, um colono da Cisjordânia, e ao ministro das Finanças, Bezalel Smotrich. Estes dois ministros de extrema-direita do Governo de Netanyahu, já haviam sido objeto de iguais sanções por parte dos governos de vários países, entre os quais os do Canadá, Austrália e Nova Zelândia
Recorde-se que, em abril deste ano, o Governo britânico suspendeu as negociações de livre comércio com Israel, país que acusou de adotar “políticas atrozes” na Cisjordânia e em Gaza, ocupadas ilegalmente.










