
Cartaz da iniciativa: “A Economia de Francisco pretende repensar a economia a partir dos jovens.”
O Papa Francisco convocou todos os católicos e cristãos do mundo e todas as pessoas de boa vontade a aderirem a uma reforma da economia. Para isso, lançou a iniciativa A Economia de Francisco, com o objetivo de repensar a economia a partir dos jovens. A nova economia, proposta por ele, inclui todos, promove a justiça, preserva o ambiente e gera solidariedade. Esta nova conceção da economia parte da convicção de que todas as pessoas, sem exceção, têm uma profunda dignidade, que provém da sua filiação divina.
Apesar de o Papa não ser economista, nem político, nem assistente social, tem o poder de escutar o chamamento de Deus e Deus grita com a voz dos pobres. “Aquilo que fizermos de bem ou de mal a cada pobre é a Deus que fazemos”, conforme refere o evangelho. Responder ao apelo dos pobres é a missão de cada cristão e a salvação dos mais frágeis virá das mãos daqueles que tiverem um coração capaz de ver e de escutar o apelo dos que sofrem. A Terra ainda possui recursos suficientes para todos e a humanidade já adquiriu a sabedoria necessária para a correta distribuição dos bens. Só falta boa vontade e, como garante da unidade da Igreja Católica, o Papa Francisco procura congregar todos os católicos para esta tarefa.
Em Portugal, A Economia de Francisco envolve também muitos jovens que trabalham em grupos (aldeias) com temas diversos: trabalho e cuidado; gestão e dom; finanças e humanidade; agricultura e justiça; energia e pobreza; lucro e vocação; políticas para a felicidade; CO2 da desigualdade; negócios e paz; a economia é mulher; empresas em transição; vida e estilos de vida.
Em resposta ao apelo do Papa, o Metanoia – Movimento Católico de Profissionais organizou uma sessão online com o título “Economia de Francisco – Não um evento, mas um advento”. Foi no passado dia 6 de março, animada por Américo Mendes, professor de Economia da Universidade Católica no Porto e que acompanha também os jovens d’A Economia de Francisco no Porto.
Américo Mendes deixou um apelo à ação concreta a favor dos mais desfavorecidos. Duas alunas suas – Daniela Sá Ferreira e Diana Salgado – deram a conhecer o trabalho que já está a ser desenvolvido em Portugal pelos jovens que aderiram à iniciativa. Ambas propuseram o combate à cultura do descarte e a revisão dos estilos de vida e lembraram a necessidade de proceder a uma regulação independente. Por fim, recordaram as características d’A Economia de Francisco e referiram que quem quiser agir encontrará sempre oportunidade.
Na conversa havida, expuseram-se muitas das preocupações dos presentes, nomeadamente a necessidade de organizar debates sobre valores sociais e ambientais, que promovam o confronto entre a política e o evangelho, sobre as condições de trabalho e sobre a economia local. Também foi proposto dar voz a quem não a tem, dando a conhecer este tipo de economia aos mais vulneráveis. O envelhecimento digno, com habitações partilhadas, como já acontece em alguns sítios, foi recordado por um dos intervenientes.
Por fim, realçou-se a necessidade de sensibilizar os cristãos para a importância deste tipo de economia e para as suas consequências, a começar pelos mais jovens. As preocupações dos presentes foram registadas o Metanoia comprometeu-se em continuar a promover A Economia de Francisco. A próxima sessão de estudos do grupo Metanoia também será sobre o mesmo tema e estará aberta para quem quiser participar.
Esta pandemia deu visibilidade à fragilidade do ser humano, que não é Deus, como por vezes julga ser, e o grito dos pobres, neste contexto, foi mais audível. Há cada vez mais gente à espera de viver de acordo com a dignidade que possui, desde sempre. Como diz Jesus no Evangelho: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados.”
Maria Manuela Carneiro de Sousa é professora










