
Milhares de jovens rezam com os irmãos da Comunidade de Taizé, durante o encontro europeu a decorrer por estes dias em Tallinn, Estónia. Foto © Taizé
O 47º Encontro Europeu de Taizé – que reúne em Tallinn (Estónia), até ao dia 1 de janeiro, mais de três mil jovens de diferentes denominações cristãs – motivou mensagens de diferentes líderes religiosos e políticos. Entre eles, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que quis assegurar a todos os participantes que a instituição está com eles na construção de um mundo melhor.
Para Guterres, “a mensagem [que dá o mote ao encontro] deste ano de ‘esperar além de toda a esperança‘ é mais necessária que nunca”, tendo em conta que “em todo o mundo, os conflitos estão a alastrar-se, as desigualdades estão a aprofundar-se, o discurso de ódio está a destruir o tecido da sociedade e o colapso climático está ao nosso redor”.
Perante este cenário, o secretário-geral da ONU diz ver “esperança nos jovens ao redor do globo, liderando o caminho ao clamar por mudanças”. “Como guardiões do amanhã, ninguém tem mais interesse em forjar um caminho para um futuro melhor. E as Nações Unidas esforçam-se a cada dia para fazer crescer e nutrir essa esperança”, assegura, sublinhando: “É precisamente por isso que o Pacto para o Futuro e a Declaração sobre as Gerações Futuras, adotados pelos Estados-Membros das Nações Unidas em setembro, incluem compromissos para fortalecer a participação significativa dos jovens na tomada de decisões aos níveis nacional e global”.
“Obrigado pelo vosso comprometimento em promover a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos ao redor do mundo. As Nações Unidas estão convosco e com todas as pessoas que se esforçam para construir um mundo mais justo, saudável e inclusivo”, conclui António Guterres.
Também a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez questão de enviar uma mensagem aos mais de três mil jovens reunidos em Tallinn. Tal como Guterres, von der Leyen sublinha que o tema escolhido “é o espelho dos tempos em que vivemos: tempos de guerra e tristeza, mas também tempos em que a esperança resiste a todas as probabilidades – esperança além de toda esperança”. E dá o exemplo da Síria e da Ucrânia: na Síria, “após catorze anos de guerra civil e meio milhão de vítimas, agora há a possibilidade de um novo começo. Um novo começo como o imaginado pelo Padre Paolo Dall’Oglio – que, assim como vocês, dedicou toda a sua vida ao diálogo entre religiões e foi sequestrado pelos terroristas do Daesh por isso”, refere; na Ucrânia, “todos os dias, as bombas continuam a cair sobre as cidades, e todos os dias, o povo da Ucrânia se levanta e continua a resistir contra o agressor. Eles sabem que desistir não levaria à paz, apenas à perda de sua liberdade”, escreve.
Recordando “com carinho” o encontro em que ela própria participou – há dois anos, na cidade de Rostock, numa das regiões mais secularizadas da Alemanha – von der Leyen destaca “a fé e paixão” dos jovens que então conheceu e reforça a mensagem do irmão Matthew para os participantes deste ano: “não há passividade na esperança. Na verdade, a esperança é uma luta ativa contra a resignação”.
Papa e Patriarca Bartolomeu: “a unidade não é um sonho distante”

O entusiasmo de dezenas de participantes durante a sessão de acolhimento na paróquia onde ficarão alojados durante o encontro. “A esperança supera todo cansaço, toda crise e toda preocupação”, escreve o Papa. Foto © Taizé
Também a mensagem do Papa Francisco sublinha a particular importância do Encontro Europeu de Taizé “no contexto atual, quando o nosso mundo está a passar por sérias provações”, com muitos países “marcados pela violência e pela guerra”, muitas pessoas “vítimas de tratamento desumano” e outras “desorientadas pelas desigualdades nas nossas sociedades e pelos graves perigos ecológicos”.
E sublinha igualmente a importância do tema da Esperança, em sintonia com o do Ano Jubilar assinalado pela Igreja Católica, deixando um apelo a todos os participantes: “Caminhem na esperança! A esperança supera todo cansaço, toda crise e toda preocupação”.
Na mesma linha, o Patriarca Bartolomeu, líder espiritual dos ortodoxos, reconhece que “num mundo marcado por divisões, conflitos e incertezas”, estes jovens “são portadores de uma nova esperança”. “Ao reunirem-se para rezar, partilhar e refletir, vocês demonstram a realidade do amor de Deus, que transcende fronteiras e une corações em comunhão genuína. Com o vosso exemplo, vocês mostram que a fé cristã é uma força transformadora capaz de trazer paz e esperança mesmo nos momentos mais sombrios”, escreve na sua mensagem.
E, convidando todos “a rezar em particular pelos países e regiões devastados pela guerra e pelo conflito, especialmente a Ucrânia e o Médio Oriente”, o Patriarca de Constantinopla expressa a sua “gratidão” à Comunidade de Taizé – que desde 1978 dinamiza este encontro ecuménico no final de cada ano, em diferentes cidades da Europa – pelo seu “compromisso incessante com a unidade cristã”. “O seu testemunho lembra-nos que a unidade não é um sonho distante, mas uma realidade que podemos saborear aqui e agora, em humildade e amor mútuo. O trabalho da Comunidade de Taizé inspira milhares de pessoas ao redor do mundo e lembra-nos que todos somos chamados a trabalhar por uma reconciliação duradoura”, conclui.
O 7MARGENS vive exclusivamente do apoio dos leitores.
Faça um donativo: https://setemargens.com/apoie-o-7-margens/
Inscreva-se para receber a nossa newsletter gratuita: https://setemargens.com/assine-o-7margens-diario/
Partilhe os nossos textos na sua página de Facebook, Instagram ou Twitter.
Escreva-nos: setemargens@setemargens.com






