
Aula pública em defesa da democracia com Leonardo Boff, Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Foto © Bruno Alencastro / Wikimedia Commons
“Assistimos a um crescimento alarmante de narrativas bélicas que apresentam o caminho da guerra como a opção inevitável. Há cada vez mais setores que ridicularizam a defesa da paz, dos direitos humanos e do direito internacional. A impunidade cresce, a banalidade do mal é normalizada e as vítimas são reduzidas a simples números”.
As conclusões surgem na mensagem final do 43º Congresso de Teologia da Associação de Teólogas e Teólogos João XXIII, realizado no último fim de semana e divulgado já esta semana, centrado no tema “Guerra e paz – há uma saída à vista?” e que contou, na sessão de encerramento, com uma conferência de Leonardo Boff e uma intervenção gravada de António Guterres.
A mensagem deixada pelos congressistas começa por citar dados do Instituto de Economia e Paz, segundo o qual existem atualmente 56 conflitos ativos com 92 países envolvidos, número que é “o mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial”. Segundo essa fonte, os gastos militares bateram recordes, ascendendo a 2,913 biliões de dólares, “190 vezes mais do que o usado para combater a fome”.
Recorda, depois, os conflitos na Ucrânia e na Palestina, com a pratica amplamente documentada de crimes de guerra e violação do direito internacional e, no caso palestiniano, de genocídio e ecocídio, “tudo isto com o apoio político e militar dos Estados Unidos e da União Europeia e face à passividade da comunidade internacional”. “Israel viola o direito humanitário internacional impunemente, sem estar sujeito a sanções”, acrescenta o texto.
Citando os textos bíblicos que frisam que “o trabalho pela paz (…) é inseparável da justiça” e que “Jesus de Nazaré declara abençoadas as pessoas que constroem a paz”, os participantes no congresso concluem:
“A prioridade na luta pela paz é a eliminação das disparidades de desigualdade baseadas no género, identidade sexual, etnia, classe social, cultura e religião”; por outro lado, “o ideal de paz requer justiça social e pessoal e cuidado com a integridade da Terra, os seus direitos e a sua biocapacidade”.









