
As primeiras crianças a chegar foram acolhidas no Hospital Bambino Gesú, pertencente à Santa Sé, que fará a triagem e encaminhamento para outras unidades de saúde italianas, caso necessário. Foto © Bambino Gesú hospedale pediatrico
Chegou na noite desta segunda-feira, 29 de janeiro, ao aeroporto militar de Ciampino (Roma), o avião transportando as 11 primeiras crianças vindas da Faixa de Gaza, gravemente doentes ou feridas na sequência dos bombardeamentos, e para as quais o tratamento no local “teria sido difícil, senão impossível”, avança o Vatican News. No total, cerca de cem menores palestinianos são esperados em Itália nos próximos dias, naquela que é a primeira operação de resgate de um país europeu para as vítimas de guerra em Gaza, cuja iniciativa partiu do vigário da Terra Santa, padre Ibrahim Faltas, e contou com o apoio do Governo italiano.
As primeiras crianças a chegar foram acolhidas no Hospital Bambino Gesú, pertencente à Santa Sé, que fará a triagem e encaminhamento para outras unidades de saúde italianas, caso necessário. Os onze menores e um jovem de pouco mais de 18 anos cruzaram a fronteira com o Egito e foi de lá que embarcaram com destino a Itália. Brevemente, mais crianças palestinianas deverão chegar ao país.
“Na quarta-feira”, explicou ao Vatican News o general Francesco Paolo Figliuolo, responsável pela operação, “parte para a Itália o navio-hospital Vulcano, atualmente ancorado na costa egípcia. O navio sairá no dia 31 de janeiro com cerca de cinquenta menores acompanhados a bordo e, em quatro a cinco dias, atracará num porto estratégico, dependendo de onde as crianças serão hospitalizadas. Em fevereiro, um transporte aéreo começará a levar outras crianças hospitalizadas no Cairo para vários hospitais italianos”. Nas últimas horas, os hospitais da Universidade de Perugia e de San Marino também se mostraram disponíveis. “Levaremos todos que pudermos”, garante Figliuolo.
Durante a noite desta segunda-feira, enquanto aguardava a chegada das crianças no voo da Força Aérea, o padre Faltas não conteve a emoção pelo que considera ser “um primeiro sinal de paz. Paz que precisa de escuta e humildade”. O franciscano disse estar grato ao povo italiano, “porque a Itália é o primeiro país da Europa a receber crianças de Gaza que, de outra forma, não poderiam ser tratadas. A Itália sempre esteve próxima a esta causa, nós pedimos e eles aceitaram”, assinalou.
“Trabalhámos intensamente com as autoridades israelitas, com as autoridades nacionais palestinianas e com as autoridades egípcias. Concluímos as negociações na quinta-feira em Israel. É um compromisso que assumimos”, disse por seu lado o ministro das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional, Antonio Tajani, aos média do Vaticano. E garantiu: “Itália continua a expressar a sua solidariedade com aqueles que são certamente vítimas inocentes”.
Já Abeer Odeh, embaixador palestiniano em Itália, confessou-se “comovido” com o acolhimento dado a estas crianças, vítimas de “ataques brutais” em Gaza. “Agradecemos ao governo italiano por ajudar os nossos menores. Esperamos que muitas outras crianças sejam recebidas”.









