Um grupo de cidadãos das mais diferentes áreas da sociedade civil acaba de escrever uma carta aberta dirigida ao Governo português, em que apela a que este defenda, de forma “clara e explícita”, o “direito à autodeterminação do Sara Ocidental”.
“Queremos justiça, paz, estabilidade e cooperação regional. Não teremos este horizonte na nossa vizinhança do norte de África enquanto a ocupação ilegal marroquina do Sara Ocidental não for resolvida”, lê-se na missiva, que conta com mais de três dezenas de subscritores iniciais, e se encontra agora em fase de recolha de mais assinaturas.
Recordando que “Portugal tem uma experiência que periodicamente evoca, com razão, pela forma como política e diplomaticamente agiu no caso de Timor-Leste, em tudo semelhante à questão saraui”, os mentores da iniciativa solicitam que o Governo português “contribua ativamente para que as negociações sob os auspícios da ONU reconheçam a imprescindibilidade de se realizar um referendo para que seja o povo saraui a decidir sobre o seu próprio futuro dado que ele, e só ele, é detentor da soberania sobre o território”.
Na missiva, que tem como destinatários o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, deixam ainda outros três pedidos concretos: que Portugal “acompanhe e procure por todos os meios fazer cessar as violações dos Direitos Humanos no Sara Ocidental”; que “não envolva Portugal em empreendimentos localizados no território não-autónomo do Sara Ocidental; e que “estabeleça um diálogo continuado com ambas as partes, a Frente POLISARIO e o Reino de Marrocos”,para assim poder colaborar numa solução “duradoura” que favoreça a paz na região.
Entre os subscritores iniciais desta carta aberta incluem-se Eugénio Fonseca (antigo Presidente da Cáritas Portuguesa), frei José Nunes (teólogo e professor da Universidade Católica Portuguesa), o militar de abril Vasco Lourenço, a cantora Teresa Salgueiro ou a escritora Lídia Jorge.
“Acreditamos que Portugal tem condições particularmente relevantes para desempenhar um papel que faça prevalecer o direito e o diálogo sobre a força, apoiando-se na credibilidade ganha pelo contributo decisivo que deu para o sucesso do processo de autodeterminação do povo de Timor-Leste”, concluem, assegurando que a “indignação da sociedade civil” face à situação do povo saraui está a crescer.
Foto de destaque: Manifestação de apoio ao povo saraui. Foto reproduzida a partir do sítio do Movimento Democrático de Mulheres










