AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Paróquias já estão a receber os novos manuais da catequese. Foto DR

Para responder à realidade atual

Igreja Católica pretende “desescolarizar a catequese”

| 17/03/2024

Paróquias já estão a receber os novos manuais da catequese. Foto DR

Paróquias já estão a receber os novos manuais da catequese. Foto DR

 

A catequese deve ser cada vez mais um processo de educação da fé em comunidade, de ensino não apenas da doutrina, em contexto de sala, mas também de abertura à vida, envolvendo as crianças e jovens nas atividades da Igreja, defende o padre Márcio Martins, responsável diocesano pela catequese em Vila Real. E estes são os objetivos do novo itinerário catequético proposto pela Conferência Episcopal Portuguesa.

Antigamente, “a primeira evangelização era feita pelos pais”, depois pelos padrinhos e pelos avós, labor que era complementado pela catequese, “para ajudar a guiar as crianças no caminho da fé”. A verdade é que hoje, as crianças “chegam à catequese como se não tivessem qualquer fundamento cristão na sua vida”. “A catequese é importante enquanto anúncio”, mas se fica por isso “perde-se aquilo que é a vivência em comunidade”, refere ao 7MONTES o padre Márcio Martins, diretor do Secretariado Diocesano da Educação Cristã em Vila Real.

Neste sentido, a Igreja propõe um novo itinerário, “que é um pouco diferente do que existia”. Passa por produzir novos conteúdos, em vários formatos, mas principalmente por “introduzir uma mudança de paradigma no que respeita à catequese”. “Os tempos mudaram. Se os catequistas partem de uma premissa errada, obviamente que o processo vai falhar. A ideia é olharmos para a catequese como um primeiro anúncio e não tanto como um complemento à educação cristã que era dada, primeiramente, em contexto familiar”, acrescenta.

Assim, este novo paradigma da catequese, segundo o responsável, “não é para desresponsabilizar os pais ou os padrinhos”, à luz do compromisso que assumem no batismo, “mas para complementar a formação”. Um dos objetivos é, essencialmente, “desescolarizar a catequese”, porque a doutrina na Igreja “não pode estar tão escolarizada e ligada tanto à escola como está hoje”.

Márcio Martins dá o exemplo do Natal e da Páscoa, períodos de forte celebração e que marcam o calendário religioso, em que as crianças, por força das férias escolares, interrompem a catequese: “Na Páscoa temos a visita pascal e um conjunto de atividades, nas quais é importante envolver as crianças e os jovens. Se temos uma catequese que, nas alturas mais fortes, fica em suspenso, então estamos a falhar na nossa missão. É uma inversão daquilo que a Igreja pretende”.

Quatro tempos no novo método para o ensino da fé

O responsável diocesano explica que o novo método, deste novo itinerário da catequese, terá quatro tempos: “Primeiro, o despertar religioso (até aos 5 anos); depois ,o tempo querigmático do primeiro anúncio, de iniciação da vida cristã (dos 6 aos 10 anos), que se conclui com a comunhão; o terceiro tempo (dos 10 aos 14 anos), que é aprofundamento mistagógico, em que se pretende que a fé não seja só teoria, mas que tenha uma dimensão experiencial; por fim, há um quarto tempo, o discipulado missionário, “o tempo da consciência da missão cristã, que terminará no sacramento do crisma”.

A Igreja pretende que esta fase final da catequese “seja uma ligação à vida na comunidade”, que não vai acontecer tanto em espaço tipo de sala de aula e que não terá, forçosamente, de ser a ritmo semanal. “Queremos ajudar os jovens a ter maior experiência cristã, como a simples visita a um idoso, a um lar, num processo de voluntariado”, refere Márcio Martins, apontando para que o ensinamento da catequese “não se resuma, apenas, a estar numa Igreja, a participar na eucaristia ou a rezar, mas fomente uma consciência missionária, de saída e de envolvimento na comunidade”.

Para apoiar esta mudança do ensino da fé estão a ser preparados novos materiais, adaptados à inversão do processo, uma vez que “os atuais já não respondem à realidade”. Do lado dos catequistas, o responsável diocesano pensava que ia haver mais resistência, mas, admitindo que “a mudança é sempre difícil”, sublinha que “a recetividade está a ser boa” pelo facto dos catequistas sentirem, ultimamente, que “os frutos colhidos da catequese já eram poucos”.

“Sabemos que os tempos mudaram. O que antigamente existia, hoje não existe. Não estou a querer diabolizar a realidade, ou este novo tempo. Ele é o que é. O que precisamos é de, neste tempo, encontrar uma nova resposta”, conclui o padre Márcio Martins.

O bispo de Vila Real e presidente da Comissão da Educação Cristã e Doutrina da Fé, António Augusto Azevedo, salientou, nas últimas jornadas de catequistas realizadas em Fátima no mês de outubro, que o novo itinerário foi “aprovado há pouco tempo pela Conferência Episcopal” e, por isso, “vai levar o seu tempo” até produzir os efeitos desejados. O bispo espera que os novos materiais possam “proporcionar aos mais jovens uma catequese mais viva” e sejam “uma proposta que vá ao encontro das necessidades da Igreja de hoje, das comunidades, desta nova geração, e também desta cultura em que [as crianças e os jovens] estão e do contexto familiar de que fazem parte”.

 

pe de pagina Journalismfund Europe 7MONTES (1)

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Depressa passas de bestial a besta”

[Lugar (in)comum]

“Depressa passas de bestial a besta” novidade

“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]

A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber

[Entre Margens]

A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber novidade

Com efeito, o sentido do mistério absoluto que a vida é começa com a consciência da consciência. A própria filosofia, de resto, começa com a consciência da consciência. É que, com a consciência da consciência, o homem desperta, assombrado, para a realidade misteriosa e radical da sua própria existência, e da Existência enquanto tal, como um todo. [Texto de Rúben Azevedo].

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This