
Passou a haver uma limitação de mandatos dos bispos, os quais, uma vez eleitos, deixarão de ficar vitaliciamente na função. Foto © Rick Wolcott, via UM News
Das cerca de 30 mil congregações que a Igreja Metodista Unida (IMU) dos Estados Unidos da América (EUA) tinha, mais de um quarto já abandonou essa denominação protestante nos anos mais recentes, naquele que é considerado o maior cisma desde a Guerra Civil, no século XIX. As razões prendem-se com questões de autoridade e de casamento e ordenação de clérigos gays.
O processo de desagregação de comunidades começou há quatro anos e está aberto até ao final deste mês. Até ao fim de 2022, registavam-se cerca de duas mil congregações que romperam com a IMU. Ao longo de 2023 e à medida que se aproximava o fim do prazo estabelecido, esse número subiu de forma acentuada, até chegar às 7.659.
O cisma na IMU está, ao mesmo tempo, a alimentar a emergência e crescimento de uma nova denominação. Trata-se da Igreja Metodista Global (IMG), que foi lançada em maio de 2022, tendo, desde então, agregado mais de quatro mil congregações dos 50 estados dos EUA. O facto de a liderança da IMG ter prometido que manterá as posições tradicionais relativamente à sexualidade tem sido fator de transição de muitas congregações de uma denominação para a outra.
Além disso, essa liderança comprometeu-se também a limitar o poder dos bispos – outro ponto que foi problemático nas últimas décadas na Igreja Metodista Unida. Essa medida traduzir-se-á, segundo a publicação protestante Christianity Today, na limitação de mandatos dos bispos, os quais, uma vez eleitos, deixarão de ficar vitaliciamente na função.
Segundo referia o site daquela publicação, a rutura constitui o desfecho de “décadas de debates, propostas e encontros da IMU, focados na sexualidade”. A verdade é que a decisão de mudar as regras tradicionais relativas ao casamento ainda não foi tomada, mas isso não tem impedido que, em diferentes congregações, haja bispos que estejam a ordenar clérigos gays não celibatários e a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Foi, por conseguinte, a violação reiterada das normas que levou as congregações mais conservadoras a abandonar a denominação. Em todo o caso, prevê-se que na Conferência Geral, a realizar na primavera de 2024, a política relativamente à comunidade LGBTQ venha a ser consagrada e aprofundada.
Observadores deste processo, citados pela Christianity Today, coincidem na convicção de que esta separação entre reformadores e conservadores não encerrará a divisão no seio do Metodismo Unido. Por um lado, os minoritários em cada congregação tenderão a procurar outras congregações, mesmo individualmente, como, de resto, já está a acontecer. Por outro lado, esta corrente do protestantismo tem duas vezes mais fiéis fora dos Estados Unidos do que neste país. É o caso das congregações de alguns países africanos, que disseram já não poder aceitar uma política de “regionalização”, que permitiria a adoção de caminhos distintos em matérias polémicas.
Jerry P. Kulah, um líder metodista unido na Libéria, afirmou-se em desacordo com esse plano de regionalização, considerando que ele está pensado para “silenciar a voz da igreja em África”. “O efeito desse plano seria compartimentar o pecado dentro da IMU e tornar a igreja africana cúmplice ao permitir que a igreja dos EUA adote ensinamentos e padrões não bíblicos”, afirmou o mesmo responsável.









