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D.J. Vance. Vice-presidente EUA

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Imigração: vice-Presidente critica asperamente posição dos bispos católicos

| 28/01/2025

Em tom irónico, Thomas J. Reese, comentador do jornal digital americano Religion News Service (RNS), agradece ao vice-Presidente Vance pelo seu ataque desenfreado contra os bispos católicos dos EUA a propósito das medidas Trump anti-imigrantes. A áspera crítica aconteceu durante uma entrevista concedida à CBS no dia 26 de janeiro. “Graças ao vice-Presidente, os media podem finalmente perceber que os bispos católicos se preocupam com outra coisa que não apenas com o aborto”, escreve Reese.

O tema dos imigrantes e refugiados acabou por ser um dos mais “quentes” da entrevista, com James David Vance a abespinhar-se com a apresentadora da CBS, Margaret Brennan, a propósito das consequências humanitárias da ordem do Presidente Trump para interromper um programa de refugiados que impediu de imediato centenas de afegãos de chegar aos EUA na semana passada. O Vice-Presidente reagiu à questão argumentando de forma irritada que o atual processo de verificação pelo qual os refugiados passam não é suficientemente completo, terminando com a afirmação: “A minha principal preocupação como Vice-Presidente é cuidar do povo americano!”.

Mas não foi este o ponto relevado pelo jesuíta Thomas J. Reese no seu comentário publicado no RNS no dia seguinte à entrevista. O que ele ‘agradeceu’ ao católico J. D. Vance foi esta enormidade: “Penso que a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA [USCCB] precisa de se olhar ao espelho e perguntar-se se está realmente preocupada com questões humanitárias, ou com [a possível perda] dos mais de 100 milhões de dólares que recebe para ajudar a reinstalar imigrantes ilegais?” Ainda o dia 26 não tinha terminado já a USCCB publicava um comunicado em que, entre outros factos, lembrava que os fundos federais recebidos, ao contrário de gerarem quaisquer lucros, não cobrem sequer todos os custos dos seus programas de ajuda aos refugiados.

Para Reese, o destaque mais significativo da entrevista não foi a irritação evidenciada pelo vice-Presidente no tema dos imigrantes e refugiados, nem o baixo nível da acusação endereçada aos bispos católicos do país, nem o facto deste ataque ser mais um degrau na escalada das tensas relações entre a administração Trump e os purpurados católicos. O mais significativo para o padre jesuíta é o facto de Vance ter mostrado que os altos responsáveis católicos têm uma agenda que vai para além da defesa da vida e da condenação do aborto.

Aspeto que Reese valoriza lembrando que enquanto o Presidente era do Partido Democrata, a “história religiosa preferida dos jornalistas” era “o conflito entre os bispos católicos dos EUA e a administração democrata sobre o aborto”. Todas as outras áreas em que “os bispos concordam ou são mais liberais do que os políticos democratas, tais como a expansão dos cuidados de saúde, da educação, da habitação e dos serviços sociais para ajudar os pobres e marginalizados” foram sempre ignoradas.

“Nenhum político democrata se lembrou de dizer – continua Reese – que, por exemplo, os bispos apoiam cuidados de saúde universais, incluindo para imigrantes sem estatuto legal”. Para ele, é óbvio que as lutas a propósito do aborto levaram os americanos, incluindo os jornalistas, “a verem os bispos católicos como defensores partidários dos republicanos, tal como muitos ministros evangélicos”, esquecendo-se que os bispos católicos “defendem uma vasta gama de políticas públicas e não apoiam candidatos ou partidos políticos”.

O padre jesuíta Thomas J. Reese, é analista principal da RNS e foi colunista do National Catholic Reporter (2015-17), editor associado (1978-85) e editor-chefe (1998-2005) da America, a principal revista dos jesuítas nos EUA.

 

(Foto de destaque:  Vice-Presidente James David Vance. Foto: Britannica. )

 

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