
Devido ao incêndio, o mosteiro viu-se obrigado a cancelar todas as reservas de alojamento na hospedaria, inclusive as que já estavam tomadas para a época da Páscoa. Foto: Direitos reservados
Apesar do seu mosteiro ter sido parcialmente destruído pelo incêndio da madrugada de 27 de janeiro, as irmãs trapistas de Palaçoulo decidiram permanecer no edifício, reusando a oferta da presidente da Câmara de Mirando do Douro, Helena Barril, para se instalarem provisoriamente no Centro de Acolhimento de Malhadas, que fica a cerca de 12 km de Palaçoulo.
Provisório é a palavra certa para descrever o que o 7MONTES viu na aldeia e conseguiu apurar junto das poucas pessoas que aceitaram prestar declarações. Tomadas por uma série de reuniões com empresas de construção civil e outras entidades, as monjas recusaram falar sobre o futuro imediato que ainda não têm bem certo qual seja. Certa é a sua convicção de que o projeto iniciado há uma década em Palaçoulo não vai ser abandonado.
Para já, além do apoio recebido da proteção civil camarária e de máquinas que Helena Barril confirmou ao 7MONTES ter “colocado no terreno” para ajudar à remoção de entulho, o mosteiro viu-se obrigado a cancelar todas as reservas de alojamento na hospedaria, inclusive as que já estavam tomadas para a época da Páscoa.
O projeto arquitetónico protagonizado pelas 10 monjas que há meia dúzia de anos decidiram deixar o Mosteiro Trapista de Nossa Senhora de São José, em Vitorchiano, perto de Roma, para se virem instalar no planalto mirandês, inclui um mosteiro e uma hospedaria (a Casa de Acolhimento) desenhados com recurso a materiais locais e paredes brancas, tal e qual as aldeias típicas transmontanas.
Em Palaçoulo, o movimento mais notado é o dos operários da construção civil que depois do incêndio cresceram em número e fazem aumentar a atividade do café-restaurante. Na rua, os poucos passantes evitam ser entrevistados, ou por não terem presenciado o incêndio, ou por pouco conhecerem a vida do mosteiro.
Ao contrário, o bispo da Diocese Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, visitou as instalações no próprio dia 27 de janeiro para se inteirar dos prejuízos e da situação em que ficaram as monjas e emitiu posteriormente um comunicado apelando à “generosidade das famílias, das comunidades, das empresas e instituições”, no tempo de Quaresma que se avizinha, para que se possa “ajudar a reerguer a Casa de Acolhimento”.
Nesse comunicado, o bispo lembrava que “as monjas vivem da oração e do fruto do seu trabalho, não tendo meios suficientes para fazer face aos prejuízos decorrentes deste infortúnio” e que a conta bancária do Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja – (IBAN: PT50 0045 2260 4029 1080 1063 2 – está aberta a receber todos os donativos que nela se queiram depositar.
A Casa de Acolhimento foi desenhada para albergar até 40 pessoas. O mosteiro é um lugar de “oração, silêncio, paz e encontro com Deus”, além de nele se viver uma “dimensão comunitária da igreja”. O “dia monástico” começa bem cedo, pelas 4h da manhã, e só termina às 20h. Entre orações, trabalho e as refeições, assim se organizam os diferentes períodos, na maioria desses dias. Já nos dias festivos, o trabalho é “posto de lado” e as irmãs aproveitam as horas para rezar e para um “retiro espiritual”.
A irmã Irene de Cánepa deu uma entrevista ao canal Canção Nova no dia anterior ao incêndio em que traçou as origens da Ordem, do mosteiro e do modo de estar próprio das monjas trapistas.
Consigo, além da devoção, da oração e do acolhimento, as irmãs trouxeram os costumes de Itália para garantirem os rendimentos do mosteiro. Os famosos terços, os porta-chaves, os torrones, as trancinhas e as amêndoas que vendem em vários minimercados locais, bem como na loja anexa ao convento, são feitos artesanalmente e ultimamente já são vendidos em algumas grandes superfícies.










