A maior sinagoga do Mississipi (EUA) ficou gravemente danificada na sequência de um incêndio que deflagrou no seu interior na madrugada do passado sábado, 10 de janeiro, e que as autoridades locais acreditam ter sido provocado com motivações antissemitas.
A funcionar ininterruptamente há 162 anos, o templo em causa assume uma importância histórica no país: a comunidade religiosa a ele associada ficou conhecida por ter apoiado e auxiliado o Movimento dos Direitos Civis na década de 1960, tendo esse apoio motivado repetidos assédios, nomeadamente um ataque do Ku Klux Klan à sinagoga, em 1967.
O incêndio deste sábado destruiu os escritórios administrativos e a biblioteca do edifício. O santuário principal da sinagoga não chegou a ser danificado e um rolo da Torá resgatado do Holocausto que ali se encontrava preservado numa caixa de vidro sobreviveu sem danos, adianta o jornal Jewish News.
Os bombeiros foram chamados ao local por volta das 3h00 da manhã e, de acordo com a imprensa local, um suspeito de ter provocado o incêndio intencionalmente foi detido pouco depois por uma equipa do FBI e do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF).
Embora os investigadores não tenham confirmado formalmente se o incêndio foi um crime de ódio, várias organizações e líderes judaicos afirmaram que o ataque apresenta todas as características de um ato de vandalismo antissemita.
O Comité Judaico Americano (AJC) afirmou que “este ato de ódio é apenas o sintoma mais recente de um perigoso aumento do antissemitismo que as comunidades judaicas em todo o país e no mundo estão a enfrentar”.
“Embora ninguém tenha ficado ferido, a sinagoga sofreu danos extensos, vários rolos da Torá foram destruídos e a congregação, a única sinagoga em Jackson, foi obrigada a cancelar os serviços por tempo indeterminado”, lamentou o AJC num comunicado citado pelo Religión Digital.
Um relatório do FBI divulgado em agosto passado indicou um aumento de 5,8% ao ano nos ataques antissemitas nos Estados Unidos entre 2023 e 2024, e também revelou que os judeus são alvo de 70% dos ataques de ódio motivados por religião.










