Publicado esta sexta-feira

Livro “final” de Bento XVI critica “crescente intolerância” ao Cristianismo

| 19 Jan 2023

livro bento xvi o que é o cristianismo, capa mondadori

Embora Ratzinger tenha ordenado a destruição das suas notas pessoais, autorizou a publicação dos  textos teológicos que produziu após a renúncia, em 2013.

 

“Este volume, que reúne os textos que eu escrevi no mosteiro Mater Ecclesiae, deve ser publicado após a minha morte”. As palavras são de Bento XVI e surgem no prefácio do livro que contém o seu “trabalho final”, o qual chega esta sexta-feira, 19 de janeiro, às livrarias italianas. Intitulado “O que é o Cristianismo. Quase um testamento espiritual”, o volume reúne 16 textos, cinco deles inéditos no todo ou em parte, onde se destaca a reflexão sobre o diálogo islâmico-cristão e a preocupação com “a crescente intolerância” ao cristianismo nas sociedades contemporâneas.

Esta preocupação sobressai particularmente no texto “Monoteísmo e Tolerância”, em que o Papa emérito afirma haver um “abandono da antropologia cristã e do estilo de vida que deriva dele, considerando-o pré-racional”. Bento XVI alerta que, apesar de “a intolerância desta aparente modernidade contra a fé cristã” ainda não se ter transformado em “perseguição aberta”, ela “apresenta-se de forma cada vez mais autoritária, tentando alcançar, com a legislação que dela deriva, a extinção do que é essencialmente cristão”.

Para Bento, não restam dúvidas: “O Estado moderno do mundo ocidental considera-se em parte uma grande potência de tolerância, rompendo com as tradições sem sentido e pré-racionais de todas as religiões”, e “por causa da sua manipulação radical dos homens e da alteração dos sexos por meio da ideologia de género, opõe-se especialmente ao cristianismo”.

Baseando a sua reflexão em várias passagens do Antigo testamento, Bento XVI critica duramente esta “crescente intolerância exercida precisamente em nome da tolerância”. O pensamento moderno, conclui, “já não quer reconhecer a verdade do ser, mas quer assumir poder sobre o ser. Quer remodelar o mundo de acordo com as suas necessidades e desejos”.

 

Confirma-se autoria de reflexão sobre celibato partilhada com Sarah

O cardeal Sarah com Ratzinger: um dos textos incluídos no novo livro já tinha sido publicado num livro cuja autoria seria partilhada por ambos. Foto: Unisinos/Direitos reservados

 

Embora Ratzinger tenha ordenado a destruição das suas notas pessoais, autorizou a publicação dos  textos teológicos que produziu após a renúncia, em 2013. A maior parte dos que estão presentes neste livro (ensaios, cartas e artigos) foi escrita por volta do ano de 2018.

Vários eram já conhecidos e surgem com algumas adaptações: é o caso de um texto sobre o sacerdócio, que provocou polémica no início de 2020 [ver 7MARGENS] ao surgir num livro cuja autoria seria partilhada entre o cardeal guineense Robert Sarah e Joseph Ratzinger e no qual estes afirmavam que  o celibato é “indispensável para que o nosso caminho na direção de Deus permaneça o fundamento da nossa vida”.

Na altura, o jornal espanhol ABC noticiou que o Papa emérito poderia ter sido vítima de uma “grave manipulação” e não ter tido, na realidade, qualquer participação na obra. O secretário particular de Bento XVI informou então que o Papa emérito não tinha autorizado que o seu nome aparecesse como coautor do livro “Das profundezas dos nossos corações”, tendo apenas enviado ao cardeal Sarah  “um pequeno texto seu sobre o sacerdócio” para que ele usasse como quisesse. Como nota o jornal La Croix, a inclusão deste texto no novo livro “indica claramente que o papa emérito assume responsabilidade por essa reflexão”.

Depois de desenvolver vários aspetos teológicos sobre o significado da Eucaristia e o papel do padre, Bento conclui que o sacerdócio anda de mãos dadas com a “abstinência ontológica” e que “a capacidade de renunciar ao matrimónio para estar totalmente à disposição do Senhor se tornou um critério para o ministério sacerdotal”.

 

Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74

“Para que a memória não se apague”

Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74 novidade

A “Revolução dos Cravos”, apesar de pacífica, ceifou a vida a quatro jovens que, no dia 25 de abril de 1974, foram mortos pela PIDE/DGS, à porta da sede da polícia política do Estado Novo, em Lisboa, depois de cercada pela multidão. 50 anos passados, recordamos a mais jovem vítima da “revolução sem sangue”, de apenas 18 anos, que era natural de Trás-os-Montes.

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

No Museu Diocesano de Santarém

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa novidade

Poderá haver quem fique chocado com algumas das peças e instalações que integram a exposição “LIBERDADE GARANTIDA” (escrito assim mesmo, em letras garrafais), que é inaugurada este sábado, 20 de abril, no Museu Diocesano de Santarém. Mas talvez isso até seja positivo, diz o autor, Miguel Cardoso. Porque esta exposição “é uma chamada de atenção, um grito de alerta e de revolta que gostaria que se tornasse num agitar de consciências para a duríssima realidade da perseguição religiosa”, explica. Aqueles que se sentirem preparados, ou simplesmente curiosos, podem visitá-la até ao final do ano.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito”

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito” novidade

O 7MARGENS irá publicar durante as próximas semanas os depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Este primeiro texto inclui uma pequena introdução de contextualização do autor aos textos que se seguirão, bem como o primeiro de 25 depoimentos. De notar que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir

Mosteiro Trapista de Palaçoulo

Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir novidade

As obras de requalificação do Mosteiro Trapista de Palaçoulo já se iniciaram. Numa primeira fase, procedeu-se à retirada de escombros, pela mesma empresa que realizou a construção do mosteiro. Desde o fim do período pascal estão em andamento os processos de reconstrução, tendo estes começado por “destelhar a casa”. Em breve, esperam as irmãs, será possível “voltar a oferecer a hospedaria aos hóspedes”. 

A família nos dias de hoje e não no passado

A família nos dias de hoje e não no passado novidade

Quando dúvidas e confusões surgem no horizonte, importa deixar claro que a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada pelo Concílio Vaticano II nos apresenta uma noção de família, que recusa uma ideia passadista e fechada, rígida e uniforme. Eis por que razão devemos reler os ensinamentos conciliares, de acordo com a atual perspetiva sinodal proposta pelo Papa Francisco, baseada na liberdade e na responsabilidade.

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

Comprado pela Madre Luiza Andaluz, em 1924

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

Um século volvido sobre a compra do edifício do Convento das Capuchas, em Santarém, por Luiza Andaluz (fundadora da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima) para ali acolher cerca de cem raparigas que haviam sofrido a pneumónica de 1918 ou que por causa dela tinham ficado órfãs… o que mudou? O 7MARGENS foi descobrir.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This