
Feira do Livro 2020, em Lisboa: “…decidi escrever sobre aquilo que mais me tem feito companhia durante estes tempos escuros: os livros! “.Foto: Direitos reservados.
É muito difícil para mim começar a escrever um texto sem um tema proposto. Normalmente, e quando acontece, vem-me uma inspiração qualquer e escrevo sobre como me sinto, sobre os meus sonhos e outros coisas aleatórias. Mas nunca leio ou mostro a alguém os meus desabafos. Há uns dias foi-me proposto escrever sobre algo que gostasse. É ainda mais difícil escrever sobre algo que goste: e se ninguém apreciar o que eu aprecio?…
Bem, deixando todos os meus receios para trás, decidi escrever sobre aquilo que mais me tem feito companhia durante estes tempos escuros: os livros! Sim, estes objetos que são associados, geralmente, a estudos, definições, palavras, apenas palavras e nada mais. Que são associados a pessoas nerds e anti-sociais. Discordo totalmente – e coloco ênfase no totalmente – com estas opiniões que se foram gerando ao longo do tempo.
Sou uma adolescente muito reservada e, digamos, um bocadinho anti-social, mas se há algo que me ajuda a superar os meus medos, definir melhor a minha auto-estima, tornar-me uma pessoa forte, corajosa e independente, são os livros. Se há algo que me mostra que há um resto de luz nos momentos escuros, que há pessoas lá para mim quando precisar, que há família sem ser de sangue, que há heróis que sofrem, que há muitos mais mundos onde posso viajar sem ser o planeta Terra, são os livros. Soa muito nerd? Soa, mas pode soar à vontade!
Há uns anos era difícil para mim admitir e dizer em voz alta “adoro ler”; porém agora não me importo, tenho, pelo contrário, muito orgulho em dizer que sou uma leitora, que sou uma viajante de palavras.
Pode não se entender qual é o sentido de ler por gosto (ou sim, caso se seja uma pessoa viajada por estes mundos), mas digo com toda a veemência possível que não se tratam apenas de palavras juntas que formam frases. São emoções, sentimentos, viagens a mundos fora do nosso. São lugares seguros para fugir, são histórias de amor que deixam o nosso coração quentinho, são guerras e batalhas que nos fazem sentir animados e envolvidos. São mil e uma coisas que nunca nos dececionarão.
Pessoalmente acho que toda a gente devia pegar num livro e tentar. Não pegar só por pegar. Pegar porque ele chama. Pegar porque o livro atrai, seja pela capa, título, resumo na contracapa ou mesmo porque se ouviu alguém a falar dele. Pegar porque se está disposto a tentar. Pode até ser um livro de que já se tenha visto o filme, para começar (mas o contrário é muito melhor). Não importa. Quem tentar, verá que famílias irá encontrar, que aventuras, mistérios, crimes, romances, amizades, animais, mundos irá experienciar.
Aconselho a fazê-lo. Experimentamos tantas outras coisas, porque não experimentar algo que nos deixe ser e viver tantas vidas?
Beatriz Sobral é aluna do 11º ano em Educação Moral e Religiosa Católica do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal










