
“As mulheres que optaram pela vida e levam uma existência muito complexa por causa dessa escolha devem ser incentivadas a ter acesso à força salvífica e consoladora dos sacramentos”, sublinha o novo texto do Dicastério para a Doutrina da Fé. Foto © J M Silva
O Dicastério para a Doutrina da Fé publicou uma carta nesta quinta-feira, 14 de dezembro, a confirmar que as mães solteiras podem receber o sacramento da Comunhão depois de se confessarem e apelando à necessidade de mais “trabalho pastoral” em diversas partes do mundo, onde as mães solteiras continuam a ser alvo de julgamentos severos.
“Nalguns países, tanto os padres quanto alguns leigos realmente impedem que as mães que tiveram um filho fora do casamento tenham acesso aos sacramentos e até mesmo que batizem os seus filhos”, reconhece o documento, assinado pelo cardeal Victor Manuel Fernández e aprovado pelo Papa Francisco na quarta-feira.
O texto sublinha, no entanto, que “as mulheres que optaram pela vida e levam uma existência muito complexa por causa dessa escolha devem ser incentivadas a ter acesso à força salvífica e consoladora dos sacramentos”. E frisa: “O trabalho pastoral deve ser feito na Igreja local para fazer com que as pessoas entendam que ser mãe solteira não impede que essa pessoa tenha acesso à Eucaristia”.
O documento surge em resposta a uma pergunta do bispo de San Francisco de Macorís (República Dominicana), Ramón Alfredo de la Cruz Baldera, na qual o responsável manifestava a preocupação com algumas jovens solteiras que “se abstêm da comunhão por medo do rigorismo do clero e dos líderes comunitários”.
“Como para todos os outros cristãos, a confissão sacramental dos pecados permite que a pessoa se aproxime da Comunhão. A comunidade eclesial deveria, além disso, valorizar o facto de as mães solteiras acolherem e defenderem o dom da vida que carregam no ventre e lutam, todos os dias, para criar os seus filhos”, sublinha o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé.
Na sua resposta, Fernández cita uma homilia proferida pelo então cardeal Jorge Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires: “Há padres que não batizam os filhos de mães solteiras porque [os filhos] não foram concebidos na santidade do casamento. Eles são os hipócritas de hoje”, disse Bergoglio na homilia de setembro de 2012. “Eles clericalizaram a Igreja. Eles afastam o povo de Deus da salvação. E aquela pobre menina que poderia ter devolvido o filho ao remetente, mas teve a coragem de trazê-lo ao mundo, peregrina de paróquia em paróquia para batizá-lo”.
Admitindo que “há situações difíceis que precisam de ser discernidas e acompanhadas pastoralmente”, nomeadamente os casos em que estas mulheres recorrem à “venda do próprio corpo para sustentar a família”, Fernández insiste que “a comunidade cristã é chamada a fazer tudo o que puder para ajudá-las a evitar esse risco muito sério, em vez de julgá-las com severidade”.









