Até ao final de setembro, tinham sido pelo menos 1.599 os sítios de património cultural e 2.415 as instalações de infraestruturas culturais destruídos ou danificados na sequência da invasão militar em larga escala lançada pela Rússia contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Entre os sítios de património cultural danificados, 149 são de importância nacional, 1.300 de importância local e 150 são monumentos recém-identificados, tendo os níveis de destruição mais severa sido registados nas regiões de Donetsk, Kharkiv, Kherson, Kiev, Sumy e Mykolaiv. Quanto às instalações de infraestrutura cultural atingidas, incluem-se 1.175 centros culturais, 848 bibliotecas, 184 instituições de ensino artístico, 133 museus e galerias, 50 teatros, cinemas e filarmónicas, nove reservas naturais, 11 parques e zoológicos, quatro circos e um estúdio de cinema. Entre estas instalações, 491 ficaram completamente destruídas.
A informação foi divulgada na última semana pelo Ministério da Cultura e Comunicações Estratégicas da Ucrânia, que lembrou que quase toda a região de Luhansk e partes significativas das regiões de Zaporizhzhia, Donetsk e Kherson permanecem sob ocupação russa, o que torna impossível avaliar com precisão a escala total dos danos às instituições culturais locais.
De acordo com o ministério, iniciou-se entretanto a primeira etapa da marcação de patrimónios culturais com o símbolo de proteção internacional, o Escudo Azul, na região de Sumy, uma das mais afetadas. Trata-se de um símbolo internacional estabelecido pela Convenção de Haia de 1954, que indica que um objeto tem valor cultural e a sua destruição ou dano durante um conflito é considerado um crime de guerra.
“Este projeto foi lançado pela primeira vez na Ucrânia, na nossa região. Um total de 173 marcações especiais foram instaladas em 52 objetos, incluindo estruturas arquitetónicas, museus, arquivos, bibliotecas, teatros e santuários religiosos”, explica Oleh Hryhorov, chefe da Administração Militar Regional de Sumy, citado pelo Vatican News.
“Sumy foi a primeira porque somos uma cidade fronteiriça que sofre bombardeamentos diários”, acrescenta Hryhorov. “O inimigo está a tentar atingir objetos culturais, porque são símbolos de nossa história e identidade.”










