
O padre Mário de Oliveira, da Lixa. Foto retirada da sua página de Facebook.
O padre Mário de Oliveira, antigo pároco em Macieira da Lixa (concelho de Felgueiras), que se evidenciou pela sua oposição à Guerra Colonial, o que lhe valeu ter sido preso duas vezes durante a ditadura do Estado Novo, morreu esta quinta-feira de manhã cedo, 24 de fevereiro, aos 84 anos, na sequência dos ferimentos provocados por um acidente de viação. À noite, ainda não havia decisão sobre a data e hora do funeral.
A notícia foi dada pela Associação Cultural e Recreativa As Formigas de Macieira, da qual foi mentor, na sua página de Facebook. “Apesar das recentes melhoras, o pai do “Barracão de Cultura” decidiu tornar-se luz e evoluiu para um nível cósmico mais elevado. Embora tristes alegremo-nos por termos convivido com o grande Mário Pais de Oliveira”, pode ler-se na publicação, referida na notícia da Lusa citada em vários meios de comunicação.
Natural de Lourosa, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, o padre Mário de Oliveira foi capelão das tropas portuguesas na Guiné-Bissau, começando aí a manifestar a sua oposição à guerra. Essa posição acabou por ditar a sua detenção por duas vezes, acusado de subversão. Dentro da Igreja, isso levou também a deixar de ter trabalho pastoral atribuído pelos sucessivos bispos do Porto – ao contrário do que diziam algumas notícias, ele não foi nunca suspenso, mas não tinha qualquer nomeação oficial.
Autor de vários livros polémicos, como Fátima Nunca Mais ou O Outro Evangelho sobre Jesus Cristo, foi jornalista do diário República, e dirigia desde há anos o Jornal Fraternizar, publicação que assegurava quase sozinho.
Faleceu no Centro Hospital do Tâmega e Sousa, em Penafiel, onde se encontrava internado desde o dia 27 de janeiro, após ter sofrido um acidente de viação em Macieira da Lixa. O bispo do Porto, Manuel Linda, visitou-o no hospital, mas ao fim do dia de quinta-feira não se sabia ainda quem presidiria à missa exequial – no caso de um padre, é mais habitual ser o bispo da diocese a fazê-lo.










