
Desde o primeiro dia desta guerra, a organização distribuiu mantimentos e equipamentos médicos, sabendo que era muito pouco para as necessidades dos hospitais e das populações, diz um comunicado dos Médicos Sem Fronteiras. Foto © MSF.
“Destruição, bombardeamentos, disparos de artilharia pesada, cidades cercadas, combates urbanos, pessoas a refugiarem-se em bunkers ou caves, falta de comida, de água e de electricidade, eis o que está a acontecer hoje na Ucrânia. E está cada vez pior”. O retrato que traça Anja Wolz, coordenadora de emergência dos Médicos Sem Fronteiras, instalada em Lviv, na Ucrânia, serve para relatar “a necessidade urgente de agir rapidamente para dar resposta à crise crescente na Ucrânia”.
A organização internacional médica-humanitária teme que se esteja a viver uma corrida contra o tempo para fazer chegar as provisões médicas certas aos locais certos antes deixar de ser possível a ajuda humanitária alcançar as vilas e cidades cercadas militarmente.
Desde o primeiro dia desta guerra, a organização distribuiu mantimentos e equipamentos médicos, sabendo que era muito pouco para as necessidades dos hospitais e das populações, diz um comunicado dos Médicos Sem Fronteiras divulgado na sexta-feira, dia 11. O principal esforço é agora levar provimentos médicos aos lugares certos, em grandes quantidades e o mais rapidamente possível.
Até agora, a preocupação tem sido fornecer equipamentos e medicamentos para cirurgia, trauma, atendimento de emergência e terapia intensiva. Mas outras necessidades começam a surgir: insulina para diabéticos, medicamentos para pessoas que sofrem de outras doenças crónicas, como asma, hipertensão ou HIV. A organização não-governamental manifesta-se preocupada com o acréscimo de dificuldades em fazer chegar o material e pessoal médico, daí a necessidade de uma acção rápida.
Em Lviv, testemunha a organização, os sete graus negativos à noite podem ser fatais para milhões de pessoas que se dirigem para as fronteiras da Polónia, Eslováquia ou Hungria. Por isso, os Médicos Sem Fronteiras estão a trazer “mais de 2.000 sacos-cama, mais de 3.500 mantas térmicas de lã, milhares de roupas interiores térmicas, blusas de lã, chapéus, capas de chuva e outro vestuário, mais de 500 tendas, como artigos de higiene, pastas de dentes, escovas de dentes, sabonetes e toalhas”. O objectivo é entregar tudo a associações locais para distribuição. “A nossa primeira equipa cirúrgica chegou a Lviv, mas, por razões de segurança, a decisão de se aproximar ou não das zonas de combate ainda está a ser considerada”, diz o comunicado.










